Ainda sobre a venda do terreno dos batistas

Há algum tempo não tenho falado sobre o tema da tentativa de venda do prédio onde funcionou o Colégio Americano Batista, no Barro Vermelho.  O tema continua no nosso horizonte de atenção, mas não havia novidades.  Esta semana, as novidades apareceram.
Em primeiro lugar, a ata da reunião realizada no dia 5 de janeiro na Primeira Igreja Batista, solicitada formalmente por alguns irmãos, ainda não foi disponibilizada.  E, segundo consta, será apresentada apenas na Convenção, em Apodi.  Vale lembrar que a votação para autorização da venda não alcançou os dois terços necessários para que o negócio fosse aprovado.  E o resultado da assembleia não foi homologado pelo seu presidente.
Em segundo lugar, devo dizer que fui informado de que o grupo da liderança da Convenção Batista tem me chamado de caluniador.  Referiram-se assim, sobre mim, para o avô de minha esposa, que é pastor.  Gostaria que me esclarecessem em que fiz calúnia.  Relatei os fatos da reunião e analisei documentos. E apenas isso.  Enviei e-mail para o presidente da Convenção e para o pastor da Primeira Igreja Batista com a perguntas - sobre as quais ambos poderiam se manifestar e emitir seu ponto de vista.  Pastor Edison Vicente preferiu partir para a minha desqualificação pessoal em portal que republicou um de meus posts.
O certo é que a venda do terreno não foi aprovada na Convenção de Mossoró - pelo menos de acordo com a ata da reunião conforme registrada.  E na reunião de 5 de janeiro seriam necessários dois terços dos votos, que não foram alcançados.  O problema é que a Convenção se movimento como se a venda tivesse sido aprovada - coisa que não foi.  Segundo disse o secretário-executivo na abertura do ano letivo do Seminário Batista Potiguar, faltam detalhes de documentações.
Se o negócio não tem dúvidas e é transparente, por que a ata não foi entregue aos irmãos que a solicitaram?  Se a reunião aprovou a venda, por que o presidente não proclamou o resultado ao fim da assembleia?  Se não há nada a esconder, por que Antonio Targino e Edison Vicente não responderam às perguntas que lhes enviei por e-mail?
Cada vez mais, o caso se configura como escândalo.  E agora, segundo se fala, a intenção de parte dos pastores da Convenção é pedir a exclusão da Igreja Batista Viva da Convenção por "desvio doutrinário", possivelmente porque alguns dos líderes do que chamam de "levante"são membros dessa igreja.
Isso prova mais uma vez que sanção disciplinar nada tem a ver com falta, mas é apenas uma manifestação e manutenção de poder: quem disciplina o faz para reforçar o poder que tem, e demonstrá-lo; disciplina-se porque se pode (tem poder) de disciplinar.  E aí, depois disso, inventa-se um motivo.  O nosso, segundo dizem, é desvio doutrinário.
Como um profeta antigo, estamos aqui denunciando os problemas desse negócio de cerca de cinco milhões de reais.  Dilapidando o patrimônio batista, sem necessidade.  Esse é o nosso papel.  Enquanto isso, os pastores seguem de portas abertas para responder às questões formuladas.



As perguntas, cujas respostas julgo que seriam esclarecedoras, são as seguintes. Pena que os pastores, de profetas de Deus resolveram ficar calados e não falar a verdade:



1) Se a assembléia em Mossoró aprovou a venda do prédio onde funcionou o Colégio Americano Batista, no Barro Vermelho, e a delegação para que a direção da convenção fizesse o negócio, por que a Convenção Batista Norte-riograndense convocou a assembléia extraordinária da semana passada?


2) A ata da reunião em Mossoró, que está datada de 2 de abril mesmo com a assembléia tendo ocorrido em maio, diz o seguinte:
A sessão é aprovada por mais trinta minutos. O Presidente Pr. Antônio de Araújo Targino dá uma palavra aos convencionais sobre a proposta do Conselho as CBNR para alienação de bens: após explicações sobre a necessidade da venda da propriedade do Colégio Americano Batista com o objetivo de construção da nova sede da Convenção do Seminário Batista. É apresentado um vídeo para os irmãos com planta do novo projeto da convenção. A proposta é colocada em discussão para o plenário. A Assembléia é prorrogada por mais 20 minutos. A assembléia é prorrogada por mais 20 minutos. A assembléia é prorrogada por mais 10 minutos. A proposta foi posta em votação com 137 mensageiros presentes no plenário. Oração feita antes pelo irmão Aurimar Alves. Posto em votação a proposta foi aprovada com o seguinte resultado: 105 (cento e cinco) votos a favor, contrários 18 (dezoitos), 02 (duas) abstenções. Que fique registrado os nomes dos contrários a esta proposta que são: Pr. Joaquim Pinto de Mesquita Neto, Alderi Gondim Fernandes, Maria da Conceição, Kezia Ventura de Oliveira, Paulo Roberto Estevam, Elenilza Batista, Jerferson Gomes Penha. É lida a ordem do dia da próxima sessão pela secretária. Encerra-se a sessão. Eu, secretária, redigi esta ataque dato e assino junto com o presidente após aprovada. Leiliane Paiva Acioli do Nascimento. Secretária
Ou seja: nela não está registrada a delegação para que a direção da Convenção efetive o negócio. Além disso, fica claro que o assunto entrou em discussão no fim de uma sessão do último dia de convenção, com a presença de cerca de 55% dos mensageiros em plenário. Também está claro que há um problema na contagem dos presentes x votos. Foram esses os motivos que levaram a Record Engenharia a solicitar uma nova assembléia?


3) A interpretação que considero mais plausível para o artigo 30 do estatuto da convenção é de que ele prevê maioria qualificada no caso de votação para alienação de patrimônio, motivo pelo qual nos reunimos, segundo o edital de convocação, na quinta-feira passada. Se não é essa a interpretação, por que a mesa não respondeu a questão de ordem interposta durante o processo de votação a esse respeito? E por que o presidente não proclamou o resultado ao fim da assembléia?


4) Qual o motivo para o edital de convocação para a assembléia de quinta-feira (5) ter sido tirado do ar?


5) Se existe um projeto alternativo para o uso do espaço no Barro Vermelho, por que ele sequer foi considerado pela Convenção, inclusive para discutir sua viabilidade?

Temo que, em poucos dias, um negócio pouco transparente e muito suspeito seja concretizado.  E depois o escândalo venha a marcar indelevelmente a nossa cidade.


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