#ForaMicarla: A escolha de Micarla

14 de setembro de 2012

Por Rafael Duarte
http://novojornal.jor.br/blog/2012/09/14/artigo-a-escolha-de-micarla/


A Constituição Federal deveria vir com um artigo expresso onde o amor próprio fosse critério indispensável para o candidato que quisesse se eleger pelo voto. Talvez assim, alguns municípios fossem poupados de passar a mesma vergonha que Natal vem passando agora. Antes o problema fosse apenas de competência administrativa. A coisa é pior do que a maioria da população imaginava. Natal escolheu para dirigir a cidade uma pessoa capaz de usar o próprio filho para inventar uma mentira bizarra. Natal deu um crédito de confiança a um ser humano sem orgulho próprio capaz de se humilhar em público apenas para se vingar de um inimigo pessoal. Natal acreditou numa mulher que chamou seu povo de burro. Natal acabou com Natal.

No futuro, algum sociólogo talvez consiga explicar o que representou para Natal a administração de Micarla de Sousa. Bem distante do calor do momento. Alguém, um dia, há de contar a história de uma mulher jovem que jogou por terra o que poderia ter sido e não foi. Uma trajetória com direito à chegada triunfal a um Palácio. Aclamada por um povo que não esperou nem o segundo turno para sacramentar a vitória. Uma consagradora vitória, diga-se de passagem, celebrada contra um grupo forte de políticos que o marketing da então candidata conseguiu fazer passar como um ‘acordão’. E ali, com a expressão martelando a cabeça e já na boca do povo, não teve presidente Lula com seus extratosféricos índices de popularidade que desse jeito. Deu Micarla, e de goleada.

Se quisesse, depois de quase quatro anos, a prefeita Micarla de Sousa poderia terminar o mandato apenas com a fama de má administradora. Mas achou pouco. Na prefeitura, deu emprego para funcionários da empresa que administrava sem levar em consideração o critério da competência. Continuou achando pouco e se cercou de auxiliares que, no exercício diário da bajulação, passaram a esconder as críticas ou interpretá-las como reflexo da inveja e da cobiça da oposição pelo cargo mais importante do município que a chefa ocupava.

Micarla acabou com Micarla. Mas por incrível que pareça isso ainda parece pouco. No meio da semana, a direção do Ibope revelou em reportagem publicada no jornal O´Globo que o instituto nunca havia registrado em toda a sua história uma rejeição tão grande a uma prefeita. Hoje, 95% da população de Natal avalia de forma negativa a atual gestão. Para qualquer outro administrador, a pesquisa seria vergonhosa. Mas contrariando todas as expectativas, Micarla deu nota 10 para sua gestão.

Não há outra forma de interpretar tudo isso. A prefeita de Natal Micarla de Sousa fez uma escolha definitiva. Trocou o título de pior prefeita de Natal por outro mais midiático: o de prefeita mais rídicula. E com a faixa no peito, apesar de tudo, deixa um recado otimista. O de que Natal tem todo o direito de errar, só não merece cometer o mesmo erro de novo.

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