#RevoltadoBusao: Vândalos?

20 de setembro de 2012

Imagine a cena.
Unidade Básica de Saúde foi fechada em um bairro periférico de uma cidade imaginária.  As razões não estão muito claras para a população - mas há razão para relacionar o fato à denúncias de corrupção sérias na área da saúde municipal.
Um bebê, talvez com três ou quatro meses, morre à porta do posto fechado porque o posto está fechado.
A população se revolta. Destrói a unidade, tocando fogo aos equipamentos.  Carros e outros bens são danificados.  Revoltados, fecham a via pública.  São dispersados pela polícia.
Agora imagine como o fato seria tratado na imprensa.  Certamente a frase mais ouvida seria: "população revoltada destruiu posto de saúde no bairro".  A história seria contada de um ponto de vista humano e a violência, ainda que fosse condenada, seria compreendida a partir da morte do bebê.
Mude o cenário.
Agora imagine um grupo de bandidos que invadem uma casa, violentam mulheres, são presos.  A população, como uma turba, cerca a cadeia.  A polícia remove os presos, mas os populares destroem a delegacia.
Algum desses manifestantes seria chamado de "vândalo" por quaisquer órgãos de imprensa - ou pela polícia, ou pela opinião pública?
A violência pode não ser aceita, mas ela tem suas causas e suas razões.
O que há de diferente em ônibus queimados nas ruas e os casos imaginados acima?  Ainda mais em um cenário construído a partir da portaria da prefeitura concedendo aumento da passagem do dia para a noite, seguida pela demora do Seturn em acatar o decreto do legislativo potiguar que cassou o aumento e, por fim e derradeiro, a suspensão da gratuidade do Passe Livre temporário.
É fácil perceber que a corda, como tenho dito, foi sendo esticada pelo poder público e pelos empresários.  A situação sairia de um certo controle no seio da #RevoltadoBusao.  Os ônibus foram incediados por infiltrados - ou mesmo por pessoas a mando dos empresários?  Difícil responder.  Mas o certo é que a turma de Augusto Maranhão e da prefeitura não foram ingênuos ao esticar a corda.  Eles queriam era ver o descontrole dos manifestantes e os ônibus incendiados nas ruas.  Assim, todos poderiam ser chamados de vândalos - como aliás foram chamados pelo comandante geral da PM, Coronel Araújo, ainda no primeiro protesto.
P.S.: Você não acha estranho um apresentador de tevê, condenado na justiça pela Operação Impacto, vociferar contra os manifestantes?  Talvez na tevê onde trabalhe corrupto condenado e ladrão do dinheiro público possa e "vandalismo" seja um crime hedionto grave.

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