O democrata e o bode

16 de janeiro de 2013

Por Luís Fausto

Eu não disse, eu não escrevi aqui há alguns dias?

Democrata que só ele, guardião das instituições republicanas há mais de 40 anos, o deputado potiguar Henrique Eduardo Alves, candidato favorito para presidir a Câmara a partir do próximo mês, deu por encerradas e explicadas as denúncias de favorecimento de um ex-assessor de seu gabinete com verbas orçamentárias.

Sócio da Bonacci Engenharia e Comércio Ltda, Aluizio Dutra de Almeida recebeu perto de R$ 6 milhões distribuídos entre 20 prefeituras norte-rio-grandenses nos últimos cinco anos, graças à boa vontade do parlamentar peemedebista.

Algo errado?

Não, garantiu Henrique. “Ele não recebeu recursos públicos, quem recebeu foi a empresa da qual ele era cotista. Não vejo problema nisso, tanto que o mantive esse tempo todo (13 anos) como meu assessor. Mesmo assim, para evitar distorções e embaraços políticos, ele teve a lealdade de dizer que iria se exonerar. E eu dei a exoneração. Assunto resolvido.”

E sobre a informação, publicada hoje pela Folha de S.Paulo, de que a empresa de Aluizio superfaturou obras em pelo menos três cidades do seu estado e está na mira da CGU, a Controladoria-Geral da União?

Na ponta da língua, o líder do PMDB tem a resposta clara, definitiva. E antecipada, já que falou ontem…

Ao jornal O Globo, disse: “As denúncias são absolutamente falsas. Não cuido da parte de licitações, de quem vai ganhar. Você tem ideia de quantas emendas, de quantos convênios tenho encaminhado? Só nos últimos dez anos, em favor do meu estado, devo estar perto de mil. Se for pensar nos valores daquilo que obtive, dá milhões. Não me cabe controlar isso, mas sim aos órgãos de fiscalização e controle.”

Ao O Estado de S.Paulo, reiterou: “Se eu for relacionar a quantidade de emendas que eu destinei ao meu Estado e ao meu município nos últimos dez anos, beira as mil. De repente, sou acusado de três emendas ali ou lá. É um negócio difícil de entender, mas, como democrata tenho que aceitar.”

Henrique só não explicou porque a empresa de seu ex-assessor, contratada com dinheiro federal para construir casas, praças, barragens, instalações sanitárias e pavimentar ruas, fica numa casa simples em um bairro de classe média de Natal, sem nenhuma identificação, guardada apenas por um bode branco, apelidado de Galeguinho, que o dia inteiro fica na entrada do terreno baldio que cerca a casa de poucos cômodos.

A informação está na Folha de S.Paulo desta terça-feira, em reportagem de Leandro Colon.

Mas aí, até eu dou razão ao filho do ministro e governador Aluizio Alves. Ligá-lo a um bode, já é demais… E nem como democrata ele tem que aceitar.

0 comentários:

 
De olho no discurso © 2012 | Designed by Bubble Shooter , in collaboration with Reseller Hosting , Forum Jual Beli and Business Solutions