Eduardo Campos, "bônus eleitorias" e o abandono da política por Flávio Rocha

21 de março de 2013

Flávio Rocha é herdeiro do grupo Riachuelo.

Por Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada



Eduardo lançou a candidatura a Presidente num encontro com empresários em São Paulo.

O anfitrião foi Flávio Rocha, dono da Riachuelo.

Quem é Flávio Rocha ?

Responde amigo navegante de péssima memória: vá ao Dicionário !

Flávio Rocha nasceu rico e quis fazer política.

Foi do PL, depois do PRN e voltou ao PL.

Tinha uma ideia fixa, um “xoque de jestão”: acabar com o Imposto de Renda e criar um Imposto Único sobre transações financeiras.

Na eleição de 1994, foi o primeiro a lançar a candidatura a Presidente, pelo PL.

Depois, teve que abandonar a candidatura e a política, atingido por uma denúncia de participar de um mercado paralelo de venda ilegal de bônus eleitorais para lavar dinheiro de empresas que doavam para a campanha dele “por fora”.

Essas informações foram extraídas do verbete “Flávio Rocha”, Volume V, pág 5086, do “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro”, do CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas.

O envolvimento da campanha de Rocha à Presidencia da República deu um Prêmio Esso à Folha de S. Paulo (*) e a Xico Sá:

TESOUREIRO ACERTA NEGÓCIO POR TELEFONE



05/08/94
Editoria: CADERNO ESPECIAL
Página: Especial-3


Da Reportagem Local

A Folha realizou dez telefonemas para concretizar a negociação da compra de bônus eleitorais. A seguir, os principais trechos das conversações entre a reportagem e o comando de campanha do PL:

PRIMEIRO TELEFONEMA
Quinta-feira, dia 28, para o comitê de campanha de Flávio Rocha (PL), em Brasília.
Folha – Por favor, eu queria falar com a pessoa responsável pelo setor de doações para a campanha, com quem eu falaria?.
Funcionária do Comitê – Pode falar comigo ou com o sr. Teófilo (tesoureiro da campanha), mas o que seria…
Folha – Eu sou um empresário, um pequeno empresário aqui em São Paulo e eu queria fazer uma doação pra campanha, mas queria saber como funciona o esquema com o bônus, né?
Funcionária – Qual é a sua empresa?
Folha – A minha empresa é uma empresa de representação, Menezes Representações. É uma empresa pequena, né?
Funcionária – Deixa eu explicar uma coisa: nós temos uma conta no Banco do Brasil, na qual as pessoas que estão colaborando na campanha estão fazendo as doações… Então… sua doação seria de qual valor mais ou menos?
Folha – Eu reúno um grupo de amigos aqui, a gente estava querendo fazer uma doação em torno de uns R$ 150 mil, isso reunindo o meu grupo.

SEGUNDO TELEFONEMA
Um dia depois, sexta-feira, dia 29.
Folha – É o Francisco Menezes…
Funcionária – A gente está com uma reunião aqui, com o pessoal de televisão… Então vamos fazer o seguinte, eu falei com o Teófilo e ele está indo para São Paulo hoje à noite. Aí ele -porque agora ele vai participar de uma reunião e não adiantaria nada conversar com você. E na segunda ele (Teófilo) está vindo às dez horas para cá (Brasília). Então, se você quiser, qualquer coisa, pode conversar, como é que se diz, na segunda cedo. O que você acha?
Folha – É, pode ser na segunda.
Funcionária – É, teria que ser antes de nove horas, porque ele tem que ir pra Guarulhos, aquela coisa toda. E aí, como é que fica.
Folha – É… eu já tinha marcado uma coisa cedo na segunda.
Funcionária – Só um minutinho, deixa eu ver se ele já terminou uma outra ligação lá e…ô Francisco, é o seguinte, ele disse que segunda-feira de manhã te telefona aí em São Paulo mesmo.
Folha – Tá ok.
Funcionária – A partir de que hora ele liga?
Folha – Manda ele me ligar cedo, umas nove horas. Pode ligar às nove mesmo.
Funcionária – Nove mesmo? Pro escritório, né?, aquele telefone que o sr. deu.
Folha – Agora, Léia, você chegou a falar com ele (Teófilo) sobre aquela possibilidade.
Funcionária – Ele me disse o seguinte: que isso conversa-se pessoalmente.
Folha – Tá legal, tá bom então.
Funcionária – De qualquer forma ele te procura então.

TERCEIRO TELEFONEMA
Tarde de segunda-feira, dia 1º de agosto. Teófilo não ligou na segunda cedo. O repórter volta a procurar o comitê, em telefonema para Brasília. Nem a funcionária (Léia) nem Teófilo se encontram.

QUARTO TELEFONEMA
Ainda na tarde de segunda. Finalmente, o primeiro contato com Téofilo.
Folha – Dr. Teófilo, quem está falando aqui é o Francisco Menezes, não se a Léia falou…
Teófilo – Falou… Eu até liguei, eu estive em São Paulo, fui para São Paulo na sexta-feira à noite e passei a manhã aí, viajei hoje à tarde para Brasília. Liguei aí pra você e atendeu a secretária eletrônica.
Folha – É, exatamente, eu tinha dado uma descida, eu tava fora, só que cheguei pouco depois e me falaram que o sr. tinha ido para Brasília.
Teófilo – É, eu já estou em Brasília, mas isso não impede… Diga, vamos, como é que a gente pode… é, você quer conversar sobre os bônus, não é?
Folha – É, exatamente. Eu sou de um grupo de micros e pequenas empresários, da região aqui perto de São Paulo, São José dos Campos, e a gente se interessaria de comprar um lote de bônus para ajudar a campanha…
Teófilo – Pronto, pronto, nós estamos à sua disposição.
Folha – Agora, a gente tem a informação de que seria possível assim, um pequeno deságio, dr. Teófilo…
Teófilo – Isso a gente teria que conversar pessoalmente.
Folha – Claro, claro.
Teófilo – Esse seu telefone é de São Paulo, não é?
Folha – É. É da cidade. É do escritório aqui em São Paulo.
Teófilo – Eu devo ir a São Paulo no máximo na segunda-feira, no máximo. A gente poderia, pra você, tudo bem?
Folha – Tudo bem. Eu estou meio apressado, mas tudo bem.
Teófilo – Se eu for antes, Flávio vai amanhã, se eu tiver oportunidade eu vou e volto, qualquer coisa assim. Esse seu telefone, você normalmente está nele, mesmo quando atende a secretária e tal…
Folha – É, exatamente.
Teófilo – Mas você está onde agora…
Folha – Olha, eu percorro toda essa região do Vale do Paraíba, mas a nossa sede é em São Paulo, por conta da burocracia etc.
Teófilo – Então a gente teria que combinar como…
Folha – O sr. teria algum telefone que eu procurasse o sr. em São Paulo?
Téofilo – Tenho. 290.6011. Agora eu teria que lhe informar. Eu deixaria o recado na secretária, eu vou estar em São Paulo, dia tal, assim, assim… lhe dou as instruções pra gente se encontrar.
Folha – Tá, perfeito. Agora, de princípio, o sr. acha que dá pra fazer, né?
Teófilo – É, dá pra conversar. Eu preciso saber quais seriam os valores etc.
Folha – Eu já poderia adiantar para o sr., a gente tem um grupo assim de umas vinte, trinta pessoas, e poderia ser algo em torno de, cerca de R$ 100 mil. Esse grupo inteiro. Aí a gente queria ver qual era a possibilidade do deságio.
Teófilo – O que é que o pessoal está pensando, então?
Folha – O pessoal tinha a informação de que outros partidos aqui em São Paulo estavam fazendo em torno de 30%…
Téofilo – Eu acho difícil, porque aí fica difícil você viabilizar… Porque isso aí é um terço…
Folha – Dá pra conversar, dá pra gente baixar…
Teófilo – Eu acho que meio a meio é o correto… Quer dizer, 100 por 200, qualquer coisa assim.
Folha – Dá fazer nesses termos?
Teófilo – Nesses termos eu creio que sim. Eu teria que ver com o próprio candidato porque a gente é muito criterioso, mas se conversa.
Folha – Não, porque a gente deu preferência (ao PL) exatamente por…
Teófilo – Por causa do imposto único…
Folha – Por nossa identidade…
Teófilo – Com o candidato…
Folha – Porque a gente poderia pegar qualquer outros partidos menores no Rio e São Paulo que não teria problema…
Teófilo – Então raciocine nestes termos.
Folha – Então, no caso…
Teófilo – Dois por um.
Folha – No caso dos 100 (reais) a gente receberia 200 em bônus.
Teófilo – Isto. É.
Folha – Tá certo.
Teófilo – Você me localiza sempre neste telefone. Se você tiver alguma coisa que você já ache que dá pra tocar, você já me avisa que eu me desloco até aí, qualquer coisa.
Folha – Tá certo. O nome do sr. é Teófilo…
Téofilo – Téofilo Furtado.
Folha – Eu agradeço a atenção do sr.

QUINTO TELEFONEMA
Tarde de terça-feira, dia 02.
Secretária do Comitê do PL em Brasília informa que Teófilo Furtado não se encontra. Fala que ele pode ter ido para São Paulo.

SEXTO E SÉTIMO TELEFONEMAS
A reportagem ligou, ainda na tartde de terça-feira, duas vezes para a empresa Guararapes, da família de Flávio Rocha, em São Paulo, onde Teófilo Furtado trabalha como executivo. Ele também não estava.

OITAVO TELEFONEMA
Manhã de quarta-feira, dia 3.
Uma secretária da Guararapes deixa um recado de Teófilo Furtado para o repórter. O recado, deixado numa secretária eletrônica, era a senha de que o negócio estava praticamente fechado.

NONO TELEFONEMA
De um orelhão, repórter liga para a Guararapes, no início da tarde de quarta-feira. Fala com Teófilo e acerta o horário, por volta das 18h, para realizar o negócio. Ele pergunta de quanto será a compra e informamos que o valor é de R$ 70 mil, o que corresponderá, conforme os índices acertados em telefonemas anteriores, ao recebimento do dobro (R$ 140 mil) em bônus eleitorais.

DÉCIMO TELEFONEMA
Novamente de um orelhão, repórter informa que, caso não possa comparecer pessoalmente, mandará um portador para receber os bônus e dar o cheque correspondente. O negócio foi fechado a partir das 18h20 da noite de quarta-feira.
(Xico Sá)





Leia também:

FOLHA COMPROVA OCORRÊNCIA DE FRAUDE COM BÔNUS ELEITORAL DO PL



05/08/94
Editoria: CADERNO ESPECIAL
Página: Especial-1


XICO SÁ

A reportagem da Folha comprou da campanha de Flávio Rocha, candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), um lote de R$ 140 mil em bônus eleitorais em troca de um cheque de R$ 70 mil.

O negócio comprova a existência de um mercado paralelo formado por candidatos para a venda ilegal, com deságio (desconto), de bônus eleitorais.

Como se fossem empresários do interior de São Paulo, os jornalistas realizaram a negociação.

O esquema dos bônus, criado para as eleições deste ano, permite vários tipos de irregularidades contra a Receita Federal, como sonegação de impostos e “lavagem de dinheiro” (veja quadro).

Os partidos terão acesso a um montante de R$ 3,1 bilhões em bônus este ano.

Os bônus funcionam como recibos. São entregues pelos partidos aos doadores de recursos. O PL é uma das legendas mais abastecidas de bônus -solicitou R$ 177 milhões à Casa da Moeda, responsável pela emissão.

Esse estoque de bônus coloca o PL em sétimo lugar no ranking das 23 legendas que concorrem nas eleições. É uma quantia três vezes superior à do PDT, por exemplo, que terá R$ 59 milhões.

Os partidos não têm prejuízo nenhum com este tipo de operação de deságio. Para justificar a diferença entre o total de bônus e o dinheiro recebido, o tesoureiro trata de conseguir notas fiscais “frias”.

Exemplo: para um partido que vendeu um lote de R$ 140 mil em bônus e recebeu apenas R$ 70 mil em dinheiro, basta conseguir mais R$ 70 mil em notas fiscais “frias” e justificar a saída, no momento de prestação de contas, do total de bônus ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O partido apresenta notas, por exemplo, de aluguéis de carros que nunca foram alugados, compra de cartazes inexistentes etc.

A reportagem da Folha tentou comprar bônus após receber a informação de que vários partidos estariam promovendo as vendas com deságio.

As informações mais precisas apontavam para transações feitas pelo PL, que havia oferecido o negócio a empresários de São Paulo.

A transação, iniciada na sexta-feira da semana passada, foi concluída na noite de anteontem, nas sedes da Guararapes e Riachuelo, em São Paulo, empresas pertencentes à família de Rocha.

Foram dez telefonemas até a aquisição do lote de R$ 140 mil -28 bônus no valor de R$ 5 mil cada. A numeração de série dos bônus adquiridod, com a inscrição PARTIDO LIBERAL, vai de 2200299505 a 2200299532.

As negociações foram feitas com Téofilo Furtado Neto, executivo da Guararapes e presidente da Comissão de Finanças do PL.

A venda com desconto interessa a tesoureiros das campanhas por ser uma forma de atrair as doações, que não estão tão generosas como nas eleições passadas.

Para os pequenos partidos, sem chances de vitória nas eleições, o negócio torna-se mais interessante ainda. Poucos empresários se interessariam em doar recursos a estes chamados candidatos “nanicos”.

Colaborou VICENTE DUARTE, da Redação. 



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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