A vinda dos médicos estrangeiros, a necessidade de revalidação e as falácias dos Conselhos de Medicina

25 de maio de 2013

Publicado originalmente no No Minuto

Em 08 de maio, a revista CartaCapital publicou, como as demais revistas semanais, a discussão da vinda dos médicos estrangeiros para suprir uma carência que supera os 50 mil profissionais no país.

No texto do dia 08, o repórter Marcelo Pellegrini já dizia que o "ministro destacou que o governo já descartou a validação automática de diplomas e a contratação de médicos de países que tenham menos profissionais que o Brasil, como é o caso da Bolívia e do Paraguai".

Encontramos também no site do Ministério da Saúde uma nota oficial sobre o assunto. A nota é do dia 21 de maio e nela o governo afirma peremptoriamente que:

Embora não exista definição sobre que modelo será adotado pelo Brasil, algumas possibilidades estão descartadas:- A contratação de médicos de países cujo índice de profissionais é menor que o do Brasil;- A validação automática de diplomas;- Só serão atraídos profissionais formados em instituições de ensino autorizadas e reconhecidas por seus países de origem.
Ainda assim, hoje, 25 de maio, estudantes de medicina, mobilizados pelos Conselhos Federal e Regionais de Medicina, foram às ruas com panfletagem e protestos. Neles, informavam ao público que o governo pretende trazer médicos estrangeiros para atuar no país sem que os tais passem pelo exame de revalidação do diploma. Assim como a imprensa reforça esse discurso, ideologizando e politizando indevidamente, em nome do corporativismo médico, a questão.

No panfleto distribuído, os futuros médicos afirmam que o governo demonstra pouco cuidado com a saúde pública com a iniciativa.

Como assim, meus caros?

Há um déficit de mais de 50 mil médicos no país.

Os médicos, através das suas cooperativas, subjugam o SUS. Recusam-se a fazer concurso público. Não vão trabalhar nos confins do país, para onde vão ser levados os médicos estrangeiros, mesmo com salários de oito ou dez mil reais por mês.

E ainda assim, segundo os conselhos, é o governo quem põe em risco a saúde pública do país com a medida de trazer médicos estrangeiros.


Tuitei essa questão mais cedo. Em resposta, uma médica natalense informou que os médicos não fazem concurso porque são aprovados em um concurso e fazem contratos de gaveta com o poder público para reforço salarial. E tais contratos terminam sendo descumpridos.

Quando afirmei que tal prática é, na verdade, uma forma confessada de corrupção, ela disse que ia me bloquear.

E ainda assim, segundo os conselhos, é o governo quem põe em risco a saúde pública do país com a medida de trazer médicos estrangeiros.

1 comentários:

Bobagem é Pouco! disse...

Boa leitura da situação meu amigo. Como base, pegue os enfermeiros, cuja presença e assistência é tão importante quanto a de um médico (se conhecerem um bom enfermeiro atuando verão o quanto ele conhece sobre o processo saúde-doença), ganham ás vezes, 5 ou até mais vezes menos, mas, assumem seus postos de trabalho, estão presentes, não têm o valor de seu trabalho na maioria das vezes reconhecido, e continua firme, tentando fazer do SUS um sistema de saúde cada vez melhor (pelo menos a maioria dos que conheço em Brasília). Realmente os médicos usam dos artífices, como apresentado pela médica de Natal, e ainda ficam boicotando o SUS. Que tragam novos médicos. Que se formem médicos brasileiros com uma mentalidade nova, voltada para o cumprimento do juramento onde a vida está acima do lucro. E cuidemos para que não venham destruir o SUS para que os planos de saúde ganhem o mercado, como fizeram nos Estados Unidos décadas atrás.

 
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