Jornalista que denunciou política de vigilância a ligações telefônicas nos EUA mora no Brasil

7 de junho de 2013

No R7

Depois de escrever por anos intensa e obsessivamente sobre a vigilância e perseguição do governo a jornalistas, Glenn Greenwald acaba de colocar-se no meio destas questões e talvez até na mira do Ministério Público Federal.

Na última quarta-feira (5), Greenwald, um advogado e blogueiro, publicou um artigo no jornal inglês The Guardian sobre a existência de uma ordem judicial secreta que permitiria que a Agência Nacional de Segurança monitorasse milhões de telefones.

O artigo, que incluía um link para a ordem judicial, deve provocar uma investigação do Departamento de Justiça, que vem punindo agressivamente indivíduos que vazam informações.


Na noite de quinta-feira (6), ele publicou ainda um texto escrito junto com um repórter do Guardian, Ewen MacAskill, em que expunha um programa também da Agência Nacional de Segurança – o Prism – que reuniu informação ao longo de seis anos em uma das maiores empresas de internet do país.

“Trata-se de uma joia da coroa entre os segredos do governo. Acredito que eles vão reagir ainda mais agressivamente”, avaliou Greenwald pelo telefone ao jornal New York Times.

Ele afirmou que foi advertido por amigos advogados, que lhe disseram que ele deveria “estar preocupado”, mas que ele decidiu que está fazendo “exatamente do que trata a Constituição”, e que não está preocupado com isso.

Estar no centro do debate é confortável para Greenwald, de 46 anos, que chegou ao jornalismo através de seu blog, aberto em 2005. Antes disso ele foi advogado, e chegou até a trabalhar na Wachtell, Lipton, Rosen & Katz, um dos maiores escritórios do ramo em Nova York.

— As pessoas dizem coisas, você parte do pressuposto de que elas estão mentindo, e caça documentos que provem isso.

Segundo Andrew Sullivan, um amigo e às vezes aliado de Greenwald, “uma vez que você entre em uma discussão com ele, vai ser difícil você ter a última palavra”.

Com este vazamento, Greenwald levantou o véu sobre alguns dos segredos mais bem guardados do governo. Segundo o que conta, as informações foram obtidas através de “um leitor” seu, que escolheu trabalhar junto com ele.

A fonte, segundo ele conta, sabia das informações que ele tinha e sobre como pretendia usá-las.

Greenwald conta que, embora tenha sempre sido um “jornalista independente”, ele concordou que o jornal The Guardian pudesse editar seu texto. Defensor ferrenho de Bradley Manning, o soldado que foi acusado de ser uma fonte do WikiLeaks, ele conta que chegou a considerar a publicação da denúncia por conta própria, e não para o jornal, mas que mudou de ideia.

O blogueiro explica também que teve que se atualizar em relação à sua segurança, como é de se esperar de um repórter que cobre questões de segurnaça nacional. Entre as medidas tomadas, instalou bate-papos instantâneos e programas de email criptografados.

“Sou um analfabeto nessas questões, mas tenho uma pessoa de confiança que cuida de todo o meu computador”, explica.

O computador em questão fica no Brasil, onde Greenwald passa a maior parte do seu tempo e mora com seu parceiro, que não pode imigrar para os EUA, já que o governo federal não reconhece casamentos homossexuais em situações de pedido de residência.

Greenwald cresceu em Lauderdale Lakes, e diz que se sentia “um velho”.

— Penso que a posição política é guiada por sua personalidade, sua relação com a autoridade, e o quão confortável você se sente sobre sua vida. Quando você cresce sendo gay, você não é uma parte do sistema, e isso te faz avaliar “Sou eu, ou o sistema que é ruim?”.

Segundo conta uma antiga colega, com quem Greenwald dividiu apartamento na época da faculdade de direito na Universidade de Nova York, “ele sempre foi apaixonado pelas questões constitucionais e pela igualdade de tratamento”.

Jennifer Bailey enfatiza que a paixão de Greenwald não se traduziu em partidarismo. “Ele era incansável e implacável, ninguém trabalhou mais horas que ele”, diz ela.

De acordo com o blogueiro, sua última década foi marcada por “um lento despertar político”.

— Quando o 11 de setembro aconteceu, eu achava que Bush estava fazendo um bom trabalho.

Seu trabalho o fez um alvo constante de inimigos ideológicos, que o acusam de defender o terrorismo ou fazer falsas comparações entre, por exemplo, ataques aéreos dos governos ocidentais com ataques como o de Boston.

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