O massacre do Cairo Declaração dos Socialistas Revolucionários Egípcios

16 de agosto de 2013

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Essa declaração foi distribuída originalmente em árabe, pelos Socialistas Revolucionários Egípcios,[1]
dia 14/8/2013. Em seguida foi publicada em inglês, no blog
Socialist Worker.

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Fora os militares!
Fora al-Sisi, cabeça da contrarrevolução!

O sangrento ataque às manifestações pacíficas [orig. sit-ins] na Praça Al-Nahda e em Raba'a al-Adawiyya é um massacre – que já estava preparado. Visa a liquidar a Fraternidade Muçulmana. Mas é parte também de um plano para liquidar a Revolução Egípcia e restaurar o estado policial-militar do regime de Mubarak.

Os Socialistas Revolucionários jamais, nem por um dia, defendemos o regime de Mohamed Mursi e da Fraternidade Muçulmana. Sempre estivemos nas linhas de frente da oposição àquele regime criminoso, fracassado, que traiu os objetivos da Revolução Egípcia. E que chegou até a proteger os pilares do regime de Mubarak, de seu aparato de segurança, as suas forças armadas e seus empresários corruptos. Participamos empenhadamente da onda revolucionária de 30 de Junho.

Tampouco defendemos, nem por um dia, as manifestações pacíficas de apoio à Fraternidade e seus esforços para devolver o poder a Mursi.

Mas é preciso pôr em contexto os eventos de hoje, e o uso dos militares para esmagar greves de trabalhadores. Vemos também que foram nomeados novos governadores provinciais – os novos governadores saídos das fileiras remanescentes do velho regime, da polícia e dos generais. E há ainda as políticas do governo do general Abdel Fatah Al-Sisi. O governo de Al-Sisi adotou um mapa do caminho que é claramente hostil aos objetivos e demandas da Revolução Egípcia – que clama por liberdade, dignidade e justiça social.

Esse é o contexto do massacre brutal que exército e polícia estão cometendo. Estamos vendo o sangrento ensaio geral para a liquidação da Revolução Egípcia. O massacre visa a criar um estado de terror e assim quebrar o ânimo revolucionário de todos os egípcios que exigem respeito aos seus direitos: os trabalhadores, os pobres, a juventude revolucionária.

Mas a reação da Fraternidade Muçulmana e dos salafistas, que atacam cristãos e suas igrejas, é crime sectário que só serve às forças da contrarrevolução.

O estado de Mubarak e o estado de Al-Sisi que nunca, nem por um dia, defendeu os coptas e suas igrejas, são cúmplices na sórdida tentativa de criar uma guerra civil, na qual cristãos egípcios tombarão vítimas da reacionária Fraternidade Muçulmana.

Nos declaramos em firme oposição contra os massacres de Al-Sisi e contra sua sórdida tentativa de tentar abortar a Revolução Egípcia. O massacre de hoje é o primeiro passo na direção da contrarrevolução.

Lutaremos com igual firmeza contra os ataques aos cristãos egípcios e contra a campanha sectária que só serve aos interesses de Al-Sisi e de seu projeto sangrento.

Muitos dos que se descreviam como liberais e de esquerda traíram a Revolução Egípcia, liderados pelos que participaram do governo de Al-Sisi. Eles venderam o sangue dos mártires ao governo militar e à contrarrevolução. Esses hoje têm as mãos sujas de sangue.

Nós, os Socialistas Revolucionários, jamais nos desviaremos do caminho da Revolução Egípcia. Não cederemos nem faremos qualquer concessão na luta pelos direitos e pelo sangue puro dos mártires da revolução: os que caíram na luta contra Mubarak, os que caíram na luta contra o Conselho Militar, os que caíram na luta contra o regime de Mursi e os que agora caem na luta contra Al-Sisi e seus cães.

Abaixo o regime militar!
NÃO à volta do velho regime!
NÃO à volta da Fraternidade!
Toda a riqueza e todo o poder ao povo!


Socialistas Revolucionários
Cairo, 14/8/2013 

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