Transexual se suicida em motel de Mossoró devido ao preconceito

21 de setembro de 2013

Já no uso do nome, a homofobia está manifesta. Afinal, por que chamá-la de Oseias?
A homofobia se manifesta também no discurso e na não-aceitação.  
Quando você sequer aceita chamá-la pelo nome pelo qual ela se reconhece, não venha me dizer que não é homofóbico, apenas não concorda. Do ponto de vista simbólico é a mesma coisa. E isso faz as pessoas deixarem de viver.
Mortes como essa podem ser tributadas à sua conta.

O Mossoroense,
oseias_morto_370Em uma postagem publicada ontem (20), por volta das 13h30, na página do Facebook, o professor de inglês Oséias Alves, que era transexual, anunciou que iria pôr fim à própria vida. "Decidi partir hoje... adeus meus amores!", escreveu ele no seu perfil pessoal. Poucos minutos depois, o professor concretizou o anúncio, cometendo suicídio, com um tiro no ouvido, dentro de um quarto de motel, às margens da BR-304, no conjunto Abolição III.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 14h, meia hora após a postagem de Oséias na rede social, a direção do motel acionou uma guarnição informando que um tiro teria sido ouvido vindo de dentro de um dos apartamentos. Quando os policiais chegaram encontraram o professor morto próximo a um revólver calibre 38. A arma usada no crime foi a mesmada última postagem no Facebook. 

No texto de despedida deixado na rede social, o professor destacou que não aguentava mais sofrer discriminação e preconceitos por parte da sociedade que o recriminava pela opção sexual. "...Não pedi pra nascer nem muito menos ser considerada um monstro como se eu tivesse algo contagioso...", destacou. "Alguns conseguem continuar e outros não. Hoje eu desisti de mim (...) Cansei desse mundo e dessa vida", declarou.

oseias_motel_3701Um amigo de Oséias Alves contou que ele estava muito angustiado ultimamente e que já havia revelado o desejo de morrer. "O meu amigo estava deprimido, com um monte de problemas e situações que vinha enfrentando, principalmente no seu local de trabalho, que não aceitava como ele era. Ele chegou a me confessar que não estava vivendo e sim suportando a vida", destacou um jovem que não quis ser identificado.

Nas suas últimas publicações na página de relacionamento, Oséias Alves exaltava o desejo de morte e sempre enfatizando que estava sofrendo preconceito. "Não ousem me julgar, porque cansei dos julgamentos e das pedras que sobre mim foram atiradas. Todos que morrem se tornam bons, assim diz o ditado", diz uma parte do texto em sua carta de despedida.

Após a notícia da tragédia, vários amigos postaram mensagens de despedida no seu perfil de Oséias Alves. O corpo do professor foi velado na capela do Hospital Duarte Filho e será encaminhado para Grossos, sua cidade natal.

Oséias Alves residia há algum tempo em Mossoró. Atualmente, ele era professor de inglês no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Ele já atuou como professor em Grossos e no Núcleo de Estudo e Ensino de Línguas (NEEL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

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