De como uma viagem fictícia foi usada para pagar compromissos de curso na UFC

19 de dezembro de 2013

Ofício que solicitava a viagem fictícia
Há cerca de dois meses fui convidado para ministrar uma oficina sobre Twitcam e Twitcasting para a turma de formandos do curso de Jornalismo da Terra, realizado na UFC, parte do Pronera, e com alunos do MST e do MAB.
A idéia do curso é fantástica. Foi emocionante para mim participar de duas bancas de alunos do curso.
Acontece que me foi informado que seria pago e que esse pagamento seria feito por meio do sistema de diárias da Universidade. De início não pensei sobre o assunto. Até porque minha experiência é o SAP/R3 da Petrobras que é responsável por praticamente tudo na empresa.
A coisa mudou quando um servidor me pediu para eu checar meus dados em um ofício. No ofício, que não era assinado por mim, eram solicitados o pagamento de diárias para uma viagem que eu faria a Recife em meados de novembro. O pagamento das diárias serviria para pagar minha oficina e eu transferiria o dinheiro para que outros professores fossem pagos.
Acontece que essa viagem nunca existiu.
Em paralelo, dois alunos me disseram que uma das bolsistas do Jornalismo da Terra teria sido cadastrada como aluna do curso para receber sua bolsa. Não pude confirmar essa informação, sequer com ela.
Com o que tinha documentado procurei o MPF. Além disso, informei o relato de meus dois alunos, ciente de que apenas o MPF, não eu, poderia a partir daquele momento solucionar a questão.
O sistema SCDP informava que "O referido docente atuará no tempo comunidade percorrendo os assentamentos, bem como tirando dúvidas através da internet, telefones e correios sobre exercícios práticos que foram solicitados no tempo escola, para o curso de Jornalismo da terra. (Nacional - A Serviço)"
Não fiz uma denúncia anônima e, portanto, sabia que mais cedo ou mais tarde ela se tornaria pública. Enquanto isso não acontecia, fiz o máximo para não chamar a atenção, inclusive assinando o relatório de prestação de contas da fictícia viagem, não sem antes informar ao procurador da república com quem havia conversado. Temi que houvesse algum prejuízo na investigação se não assinasse o documento.

Assim diz o relatório de prestação de contas da viagem que já veio pronto para que eu assinasse: "Esta viagem, Recife-Fortaleza, iniciou-se às 8 horas da manhã. Comecei os trabalhos de jornalismo da terrá às 15 horas, prosseguindo até às 17 horas do dia 23 de novembro. A viagem se encerrou com a volta a Fortaleza às 20 horas"

Hoje o assunto explodiu na UFC e no fim da tarde, foi-me solicitado que assinasse um documento dizendo que eu havia me enganado.
Quem me conhece aqui, no Twitter, no blog De olho no discurso, nas aulas de Técnicas de Investigação Jornalística e Ética e Legislação não teria qualquer duvida de que não assinaria um documento dizendo eu haver me enganado.
Sinto muito, mas como disse mais cedo, erro, traio, deslizo, mas procuro ao máximo, como pessoa, professor e jornalista, viver em coerência. Não dormiria tranquilo se tivesse agido de maneira diferente. Agi como já tinha feito outras vezes e como espero agir sempre que me deparar com situações assim.


1 comentários:

Patrick disse...

O mais apropriado não seria buscar a Ouvidoria ou a CGU? Pois à primeira vista parece ser um desmantê-lo administrativo, não criminal.

 
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