Alckmin declara guerra a Haddad

23 de janeiro de 2014

Por Marco Antônio Araújo

No R7


É guerra. Não tem como enxergar de outra forma a ação criminosa que a Policia Civil do Estado de São Paulo promoveu contra os moradores da Cracolândia nesta quinta, 23. Disparar balas de borracha, jogar bombas de gás e agredir covardemente usuários de drogas não é uma operação que se faça sem o consentimento de altas autoridades. Ou o secretário de Segurança pede demissão ou teremos certeza de que a ordem partiu do gabinete do governador.

Foi claramente uma sabotagem (com as piores motivações eleitorais) à Operação Braços Abertos, do prefeito Fernando Haddad — um oásis de bom senso em meio ao fracasso retumbante que sempre cercou o combate ao crack na cidade. Ainda mais depois da desastrosa intervenção (violenta, burra, inútil) promovida por Alckmin e o ex-prefeito Kassab, em 2012. Quem não se lembra do exército de zumbis que se dispersou pela capital, numa macabra romaria de viciados? Não por acaso, aquela intervenção precipitada foi feita dias antes de o governo federal anunciar um programa nacional de combate à droga. A história se repete.

Inveja mata. E em ano eleitoral, é fácil imaginar o estrago que faria na seara tucana o sucesso de uma ação original e bem sucedida, que se propõe a reinserir na sociedade os dependentes de crack. Ver barracas serem retiradas da rua pacificamente e constatar que drogados podem ser reabilitados através de oportunidade de trabalho e tratamento digno é um tapa na cara na politica de segurança tucana, que há 20 anos dissemina o confronto brutal e a corrupção, sem nenhuma inteligência ou sensibilidade na hora de combater mazelas sociais. Por isso, vivemos numa outra guerra, civil e não declarada, em que o crime organizado manda, e o governo faz de conta que não obedece. Bandido sente o cheiro da incompetência, vive disso.

Se o prefeito Haddad não responder a essa provocação de forma igualmente virulenta, vai se mostrar um político despreparado e covarde, incapaz de superar os sucessivos fracassos que já sofreu (e continuará sofrendo). Guerra é guerra. Numa hora dessas, omissão é crime. Só os fortes sobreviverão.

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