@MiguelNicolelis: 2014 terá grandes avanços para que exoesqueleto dê chute da Copa

6 de janeiro de 2014

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Conheça as peças do projeto 'Andar de Novo'12 fotos

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26.nov.2013 - Neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis publicou em seu Facebook foto com o exoesqueleto que fará um paraplégico dar o chute inicial da Copa do Mundo, em 2014. Na legenda, escreveu: "Jonny and I!" (Jonny e eu) Reprodução/Facebook
O projeto "Andar de Novo" entra em sua reta final em 2014: o exoesqueleto será testado em voluntários em São Paulo, e, deles, deve sair o brasileiro paraplégico que irá dar o primeiro chute da Copa do Mundo, em junho. O programa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis em conjunto com cientistas de todo o mundo tem como objetivo criar um exoesqueleto para tetraplégicos comandado por sinais cerebrais e que dê respostas táteis ao usuário. Assim, daria maior independência motora para pessoas que perderam os movimentos das pernas e braços.
Em conversa com o UOL, sobre a última fase do projeto, Nicolelis afirma que o cronograma está dentro do previsto e conta que "vão ter avanços bem grandes daqui para frente." A resposta tátil (para que a pessoa sinta o que o exoesqueleto faz com a pele artificial) e o ambiente virtual de teste controlado pelo cérebro já funcionam. Agora, o exoesqueleto irá reunir estas tecnologias para que com o comando do cérebro ele possa mover a pessoa de se levantar da cadeira até dar um chute. 
UOL: Uma das últimas pesquisas apresentadas foi a habilidade de controlar duas mãos virtuais simultaneamente com sinais cerebrais. Por que isso é importante para o caminhar?
Miguel Nicolelis: 
É importante pelo fato de ter integrado dois membros simultaneamente, por ter registado 500 células, é a primeira vez que isso foi feito, e ter usado o ambiente virtual que está sendo usado pelos pacientes.
UOL: Uma sintonia mais fina de "alvo" e equilibro também seria necessário, certo?
M.N.: 
Está sendo desenvolvido, como o paciente é paraplégico, o paciente tem o movimento dos braços, o que ajuda no equilíbrio. Nos testes virtuais, eles tinham q acertar alvos, que eram em 3D.
UOL: Quais os próximos passos da pesquisa?
M.N.: Estamos trabalhando em paralelo, são várias coisas em paralelo. Estamos terminando os exoesqueletos e começando o treinamento dos pacientes no ambiente virtual.
UOL: Os testes serão em São Paulo?
M.N.: Os testes começaram primeiro em Natal, onde os cientistas testaram o ambiente virtual. Em São Paulo, voluntários da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) estão sendo treinados. Depois, os exoesqueletos virão direto para São Paulo para serem testados.
UOL: Com eles é um capacete que capta os sensores do cérebro, não é?
M.N.: Essa é uma das possibilidades, mas não posso te contar as outras ainda porque queremos publicar. Os trabalhos estão em revisão. Esse processo demora, são meses. Mas tem várias novidades e vários trabalhos bem diferentes, que as pessoas não esperam. Vão ter avanços bem grandes daqui para frente.
UOL: Como está o cronograma do projeto?
M.N.: A ciência é uma coisa não linear. Dentro do que tínhamos previsto, está tudo funcionando. Aliás, estamos surpresos como funcionou tão bem o espaço virtual com os pesquisadores. Os pesquisadores foram capazes de usar a atividade cerebral para mover os avatares e dar um chute, mesmo andando num andador robótico fixo, que temos em Natal e na AACD. É um projeto que nunca foi feito, né? Então, estamos em dia e tudo leva a crer que está indo como planejado. Mas ainda há muitos desafios pela frente. O maior deles é um ser humano usar um exoesqueleto controlado pelo cérebro. Com os macacos funcionaram já todos os elementos. Então, a gente está confiante que vamos chegar lá. Estamos com uma equipe extremamente dedicada e todo mundo está com o mesmo pensamento.  Temos gente  em SP, Natal, Duke,  Kentucky, Califórnia, Colorado, Paris, Munique, Suíça, é um projeto de neurociência com equipe desse tamanho e com essa variedade de expertise.

Veja passos do projeto "Andar de Novo" - 8 vídeos

UOL: Quanto tempo de "treino" é necessário para funcionar? Como foi com os macacos?
M.N.: Um deles foi treinado com joystick, mas com o segundo percebemos que não precisava. Que ele podia só visualizar uma série grande de trajetórias que o cérebro começava a adquirir o treinamento sem precisar mexer o próprio corpo, foi aí que percebemos que o tratamento ia funcionar com pacientes paralisados. Nós monitoramos a atividade elétrica da mão mesmo.
UOL: A parte da pele artificial e da resposta tátil já funciona?
M.N.: Já está pronto. Nos membros inferiores já conseguimos fazer funcionar para o projeto "Andar de Novo". Agora, no avatar, foi feito apenas com uma mão. Estamos adaptando para duas mãos, é um dos avanços que esperamos relatar daqui para a frente. 
UOL: O chute será com um paraplégico, mas o exoesqueleto poderá ser usado por tetraplégicos também, ne?
M.N.: Esta era a ideia desde o começo, quando chegar ao final da pesquisa, oferecendo opção para pacientes quadriplégicos, mas tem que fazer progressivamente.
UOL: O senhor chama o exoesqueleto de homem de ferro, né?
M.N.: É uma analogia, é importante que as pessoas saibam que não é mágica, que elas entendam. E como a ficção científica às vezes mostra coisas que possam ser usadas como analogia, fica mais fácil. Costumo brincar com meus amigos de ficção científica que eles precisam se virar porque estamos chegando pertinho deles.

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