Em crise, governo do RN faz contrato de publicidade no valor de R$ 25 milhões por um ano

4 de março de 2014

No sábado passado, após participar do Baile Infantil do Tatu Bola na Pinacoteca do Estado, fomos, em romaria, até o Carnaval multicultural, em Ponta Negra.  Nosso objetivo era curtir o show de Morais Moreira. 
Chamou a atenção a não-presença de policiais.  Vimos até duas viaturas da Guarda Municipal, mas nenhum homem ou veículo da PM.
Na mesma noite, recebi a informação, de uma fonte de dentro da PM, que o contingente destacado pelo governo do Estado para atuar durante o Carnaval era bem menor do que o afirmado oficialmente pela secretaria de segurança.  A recomendação era de que não saíssemos à noite nos dias de Momo.
Esse é o Estado em que somente em fevereiro de 2014 ocorreram 139 crimes violentos letais e intencionais - e outros dados muito ruins de segurança no RN, mostrados pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, já que o governo costuma sonegar as informações.
E as condições da saúde pública, com falta de leitos, etc?  
E o funcionalismo que, pelo menos parte dele, tem tido problemas para receber seus salários?
Mas para a Art&C, Base Propaganda, Criola, Dois A, Faz Propaganda e RAF - e seus sócios e proprietários - a relação com o governo do RN não poderia ser melhor.  Publicado em 28 de fevereiro e com validade até 27 de fevereiro de 2015 foi assinado na sexta-feira passada um contrato para "prestação de serviços de publicidade".  No obsceno valor de R$ 25 milhões.


Pior é imaginar que ainda que mesmo que o valor fosse o dobro não seria capaz de reverter o tamanho da crise de imagem da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).  Mais que isso: tal contrato, no fundo, contribuirá para afundar ainda mais sua imagem e suas chances de sobrevivência política. Afinal, como justificar um contrato de publicidade milionário em um governo que não consegue pagar integralmente sem perrengues a folha do funcionalismo?
Depois de pagar milhões que foram desviados à Associação Marca para administrar o Hospital da Mulher em Mossoró, por exemplo, provavelmente o governo não considera acintoso tal contrato de publicidade.

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