No Walfredo Gurgel pacientes chegam a esperar 12 horas por cirurgias de emergência

13 de abril de 2014

Por Tiago de Medeiros Almeida 
Médico Ortopedista do Walfredo Gurgel, em conjunto com todos os Ortopedistas.

Meu comentário de hoje trata de uma realidade que há muito tenho deixado de falar. Estava meio cansado de sempre bater na mesma tecla, mas vejo a minha própria inquietação e de meus colegas. O Hospital Walfredo Gurgel vem passando por uma depreciação midiática enorme, no entanto o menos culpado é o próprio hospital e os profissionais que lá atuam.

O secretário do Estado, conjuntamente com sua equipe, vem fazendo desmandos na saúde pública do nosso Rio Grande do Norte há algum tempo e ninguém se levanta contra isso. Não tenho nada pessoal contra o secretário, mas vejo que sua gestão tem piorado a situação da saúde do nosso estado, fechando portas de serviços e não priorizando os servidores.

Se uma vítima de acidente com fratura exposta chegar hoje ao Walfredo, passa no mínimo 12 horas esperando por uma primeira cirurgia de estabilização para evitar infecções, e depois aproximadamente mais 5 dias para ser transferido para outro hospital e realizar a cirurgia definitiva. Alguns talvez digam que 12 horas não é tanto tempo, mas, tecnicamente, após as primeiras 6 horas, uma ferida que era considerada limpa passa a ser suja, então é necessário manter o paciente mais dias internado, devido a processos infecciosos. Sem falar que o risco de amputação da aumenta, e muito! A situação também é complicada, para pacientes e acompanhantes, que devido ao estresse e incertezas, geralmente se envolvem em brigas no hospital.

Hoje a maior demanda de saúde do estado é de ortopedia. Nenhuma especialidade mutila tanto quanto  a ortopedia. Será que é por causa dos profissionais?

Quanto à Governadora, a eximo de culpa porque provavelmente ela acredita em tudo que o secretário de saúde fala: que o que dizem é terrorismo; que está economizando quinhões.  Mas o principal não está sendo contemplado, que é uma saúde, não digo nem de qualidade, mas uma saúde digna! Terrorismo, secretário, é o que você está fazendo com os pacientes e com os funcionários do Walfredo Gurgel, que estão trabalhando e vivendo uma das piores fases profissionais e psicológicas das suas vidas. Muitos vivem de atestado médico porque não possuem condições de trabalhar. Terrorismo é o médico, o enfermeiro, os técnicos, e demais profissionais terem que fugir dos pacientes para não serem agredidos; terrorismo é fechar portas de hospitais que até então tinham uma certa resolutividade. A população não aguenta mais ser tratada como laboratório, onde o gestor vai experimentando, dizendo que acha melhor isso ou aquilo. A população e os funcionários da saúde exigem e suplicam por um melhor atendimento.

E não adianta fazer um mutirão de uma semana e achar que resolveu o problema. A população do estado clama por medidas sérias, inteligentes, e que venham a somar para o povo.

Faço um questionamento lógico, sem base, esse feito para governadora. Será que o secretário de saúde não seria uma das forças ocultas que lutam para derrubar o governo?

Lógico que essa é minha maneira de cidadão e profissional de pensar, pois não vislumbro uma ação positiva do secretário para com a população, nem muito menos para os funcionários estaduais de saude. É notório que uma equipe motivada, trabalha com muito mais gosto, trabalha com mais entusiasmo. Mas faltam condições de trabalho, faltam pessoas para completar escala, falta estrutura física. O que mais precisamos que falte? O que temos?

Então peço que seja feita uma reflexão das políticas públicas para a saúde. Peço que o secretário de saúde repense suas decisões, afinal o problema anterior era o ponto. Passamos a bater o ponto, e agora qual é o problema? Deixo a resposta com o secretário. Esse sim, o nombro como um terrorista!

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