"Aeroporto Aluísio Alves - São Gonçalo do Amarante: Para o sonho não virar pesadelo

30 de maio de 2014

Por Marcos Dionisio Medeiros Caldas
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos

Fiz as arengas que estavam ao meu alcance e outras que jamais poderia travar, observada a correlação de forças e os interesses econômicos, desde que Natal foi escolhida Sede da Copa do Mundo.
Participamos da criação do Comitê Popular da Copa - Natal 2014 e da Associação dos Atingidos pelas Obras da Copa - APAC.
Num tempo em que todos estavam embriagados pela condição de sermos de Sede da Copa, trouxemos, junto com outras mentes críticas e apaixonadas por Natal, algumas reflexões sobre as obras necessárias para uma Natal fraterna e terna - como nos encantava a cantiga Praieira de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros - e as que estavam nos "laboratórios" para serem efetivadas pela administração, dita Verde, de Natal que trucidavam o Direito Humano à Moradia de mais de uma milhar de famílias no Bom Pastor, Av. Mor-Gouveia, Av. Felizardo Moura , Av Industrial Francisco Motta e da Rua Compositor João Luis, dentre outros logradouros.
Procuramos fazer a luta com tenacidade, pobreza e zelo.
Procuramos ser elegantes, justos, cuidadosos e educados.
Por vezes estivemos prestes a rompem os limites de civilidade a que nos impomos, às vezes quase perdendo a ternura. Muitas vezes tivemos que inventar ou reinventar a criatividade para “escaparmos” e fazer a luta seguir com possibilidade de vitória, o que foi alcançado.
Vivemos momentos de muita tensão, de bate-bocas, de indignação. Mesmo nesses momentos reconhecemos a grandeza de pessoas que defendiam pontos de vista antagônicos aos nossos, como os então Secretários, Sérgio Pinheiro e Wálter Fernandes e os componentes da atual gestão municipal, como Wálter Pedro e Alexandre que, após entre choques, laboraram em acerto ao aceitarem, mediante compromissos assumidos pelo Prefeito Carlos Alves perante o Comitê Popular da Copa - Natal 2014, a APAC e ao Instituto Ethos e o Comitê Jogos Limpos, a evitarem as funestas Desapropriações para pretensas obras de Mobilidade.
Digo isso porque o Rio Grande do Norte precisa reinventar a esperança e o orgulho e na medida que se nos preparamos para receber o funcionamento do novo Aeroporto, assaltam-me uma série de questionamentos que queria compartilhar com amigos e amigas da Terra de Poti e até com pretensos inimigos que possa, mesmo sem querer, amealhado ao longo da vida.
Como apenas agora, alguns estão descobrindo a distância e os problemas de acesso a São Gonçalo do Amarante, coisas que sempre me pareceram óbvias, encontro-me ensimesmado com alguns aspectos que me parecem graves.
São tantos e tamanhos atropelos que a sociedade potiguar padeceu nos últimos anos que, mesmo correndo o risco de chover no molhado ou até ser injusto com alguns, o amor que me prende a essa terra e aos seus habitantes e o compromisso de tentar promover os Direitos Humanos para todos é que me levam a ousar fazer perguntas óbvias e que já devem está devidamente saciadas nos meandros da Administração Pública e dos órgãos de Controle, senão, vejamos:
1. O Aeroporto Aluísio Alves já recebeu o habite-se?
2. Será que todos os cuidados com referência à necessária segurança estão devidamente observados?
3. Como no episódio do Arenas das Dunas não há um aperreio e pressões de última hora?
4. Em não estando tudo devidamente saciado, não seria o caso de mais um curto adiamento para não se correr riscos desnecessários?
São arguições singelas que faço movido pela verificação de que em inúmeros episódios a improvisação reinante e a falta de sequência lógica administrativa nos pôs em risco evitáveis. De longe acompanhei pelejas para se liberar um show, a abertura de um ponto comercial, uma caminhada , uma praça , uma festa...etc.
Espero que a insegurança que passamos em outros episódios não estejam próximas no momento em que São Gonçalo do Amarante recebe um Aeroporto cujo sonho prometeu-lhe fartura e desenvolvimento.
Que o sonho não se transforme em pesadelo e que os órgãos responsáveis pela bastante fiscalização sejam chatos e impertinentes como foi o Comitê Popular da Copa – Natal Copa 2014 com relação às Desapropriações, mesmo que, para isso, tenham que remar contra a maré.
"Navegar é preciso", não resta dúvida, remar contra a maré, todavia, às vezes faz o homem encontrar-se com o seu destino de servidor público.

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