#BlogscomDilma: por que a senhora apanha calada da grande mídia?

27 de setembro de 2014

Por Cíntia Alves
No Jornal GGN


Profissionais da chamada blogosfera progressista foram recebidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) na tarde desta sexta-feira (26), no Palácio do Planalto, para uma entrevista coletiva que foi transmitida ao vivo na internet. Em meio a perguntas sobre saúde, segurança, economia, infraestrutura e política, Dilma pôde esclarecer projetos encampados ou abandonados (caso do trem bala) durante seu mandato, além de corrigir falas que, segundo ela, foram distorcidas por veículos da grande mídia. Aproveitando o gancho, coube a Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, perguntar à presidente por que, ciente da situação corriqueira, ela preferiu apanhar calada da imprensa durante quase quatro anos - esboçando, somente agora, em ano eleitoral, alguma reação.

Para embasar a questão, Guimarães e outros blogueiros citaram, antes, a manipulação de informações pelos grandes grupos de comunicação, que vai desde a Petrobras até o recente discurso da presidente na ONU. Muitos jornais manchetaram que Dilma é a favor de “negociar com terroristas”. A petista não justificou a postura passiva que teve nos últimos anos, mas concordou que construir um contraponto em defesa do próprio governo é algo que precisa ser perseguido mais incisivamente num possível segundo mandato.

“O que nós vemos é que, no Brasil, tem uma forma de fazer oposição que tem que ser denunciada, que é a forma do quanto pior [for o desempenho do atual governo], melhor [para esta oposição]. Tem uma parte da imprensa que faz oposição, mas a oposição [dos partidos políticos] também faz. Essa história da imprensa fazer oposição não é monopólio do Brasil. Acontece em várias partes do mundo. O que é verdade é que a situação agora é mais difícil. Por isso, cheguei à conclusão de que, na minha campanha [à reeleição], a verdade vai vencer a mentira. Eu tenho tentado [fazer esse contraponto à oposição], e agradeço a quem me ajuda. É um debate que terá de ser feito no segundo mandato”, comentou Dilma.

Regulamentação da mídia

No início do encontro, Dilma voltou a defender a regulamentação econômica da mídia, afirmando que acredita que o Brasil, agora, está “maduro” para discutir essa pauta. Segundo ela, a regulamentação não criaria nenhum tipo de censura à produção de conteúdo ou liberdade de imprensa e expressão. Atenderia, sim, aos artigos da Constituição de 1988 que cobram a inexistência de monopólios e oligopólios na mídia.

“A regulação tem que ter uma base, e essa base é a econômica. A concentração de poder ecoômico dificilmente leva a relações democráticas. Leva, sim, a relações assimétricas de poder, de informação e prepotência em qualquer área”, disse Dilma.

A presidente ainda destacou o papel dos blogueiros na democratização da informação. “Os blogueiros representam como a liberdade de expressão pode ser estimulada por novos meios de comunicação. A internet possibilitou isso. Mas independentemente desse avanço, eu entendo que o Brasil tem que regulamentar a mídia”, endossou.

Segurança

Questionada sobre a necessidade de melhorar a segurança no país, Dilma reforçou que o governo estuda intensificar a integração entre as polícias, a exemplo do que aconteceu na Copa do Mundo. Ela também reafirmou que é contra os abusos provocados com base nos autos de resistência. Para ela, em geral, o que se vê no país é o uso desse mecanismo para justificar inúmeros assassinatos, principalmente entre jovens negros e da periferia.

Dilma disse que a União não tem o poder de desmilitarizar as policias, pois é uma proposta inconstitucional. Ela também classificou a atual política carcerária como “cega”. “Nós temos um quadro que mistura péssimas condições [para os presos], com direito a tortura, e a resistência de que ninguém [governo] quer isso em seu estado. Para se ter ideia, nós ainda temos dinheiro para construir presídios, mas ninguém quer”, disse.

A presidente ainda falou em ampliar a capacitação técnica dos encarcerados. Ela lembrou que no próximo ano, o Pronatec terá 12 milhões de vagas disponíveis, e que uma parcela disso poderia atender a determinados perfis de presidiários. A petista insistiu que o país precisa investir, para além da inclusão social, na qualificação profissional. Segundo ela, sem esse avanço, a situação próxima de pleno emprego não irá se sustentar.

Reforma Política

Sobre reforma política, Dilma disse que insistirá no plebiscito, porque só a força do povo criará o cenário ideal às mudanças. “O desafio do país é maior que o sistema político. Quando você tem um sapato menor do que o pé, você tem que trocar o sapato. E o país, nesse caso, é o pé.”

Saúde pública

Segundo Dilma, depois da questão do atendimento básico, parcialmente resolvida com o Mais Médicos, a prioridade do governo é atacar as especialidades. Para a presidente, isso só será possível discutindo o rearranjo da parceria entre o sistema público de saúde e o privado.

“Você só resolve o problema das especialidades se regular melhor a relação entre o mundo público e o privado. O privado vai ter que pagar pelo público e o público, pelo privado. A discussão será colocada na ordem do dia, porque não dá para acreditar que o governo federal, estados e municípios, vão fazer uma rede pública para especialidades. Nós não damos conta. Se não integrarmos os dois mundos, não vamos dar conta de atender todo o Brasil.”

 
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