Jornal de Hoje, o código de ética dos jornalistas e a "apologia ao homossexualismo"

30 de setembro de 2014

Um dos problemas do sistema de comunicação brasileiro é que, por ausência de um Conselho regulador da profissão de jornalista, seu código de ética prevê, como sanção máxima, a expulsão do sindicato (para quem for sindicalizado) ou o impedimento de se sindicalizar (para quem não for). Ou seja: sanção nenhuma na prática.
Enquanto a OAB, o CREA ou o CRM pode impedir o exercício profissional de quem fere seus códigos de ética, no jornalismo ninguém deixa de ser jornalista se desrespeitar o código.  Aliás, duvido que a maior dos colegas conheça o nosso código.
Está em vigor o Código de Ética que foi aprovado no Congresso Nacional de Jornalistas em Vitória (ES), em agosto de 2007.
Ali se leem os trechos que cito abaixo:

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos,
deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta
divulgação.
...
Art. 6º É dever do jornalista:
I - opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;

XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Certamente, foi o que faltou ao texto de Ana Carolina Wanderley de Souza, publicado em O Jornal de Hoje de ontem, e denunciado no Facebook pelo professor Jo Fagner, da UFRN.
 
Por Jo Fagner
No Facebook

Prezada Ana Carolina Wanderley de Souza, brasileira, natural do Estado do Rio Grande do Norte, nascida em 01 de janeiro de 1990, bacharel em Comunicação Social pela UFRN, diplomada em dia 21 de janeiro de 2014 (de acordo com a foto do título que ela mesma fez questão de publicar em postagem nas redes sociais). Não existe "homossexualismo", a palavra correta é HOMOSSEXUALIDADE, bem como está escrito na imagem que você ignorou ao produzir esse texto desrespeitoso e parcial.

"Uma curiosa exposição que aconteceu em Natal deve ter passado despercebida entre a população.", menos para você, que teve seu preconceito acionado quando viu que uma exposição com um debate tão necessário foi premiada e ganhou espaço na galeria potiguar.

"O que parece ser abstrato na descrição da exposição, na verdade pode ser interpretado como um ato de apologia ao homossexualismo. Apesar do evento já ter sido encerrado, no ambiente reservado para a exposição ainda constam duas paredes decoradas que fazem menção à exibição artística do potiguar. Uma com a frase 'homossexualismo é progresso' [nota do blog: há um problema evidente de letramento aqui uma vez que a frase na faixa fotografada na matéria é "Homossexualidade é progresso"] e outra com inúmeras frases de cunho sexual, as quais narram memórias vividas ou imaginadas pelo artista." - Mais uma vez, parece que a então "jornalista" esqueceu suas leituras, porque não é isso que se lê na imagem. Novamente tendenciosa e preconceituosa, a então bacharel esqueceu a objetividade ao usar termos tão imprecisos quanto "o que parece ser" ou "pode ser interpretado".

Querida, não existe apologia ao "homossexualismo". Você poderia ter guardado o seu "heterossexualismo" na gaveta onde deve, com certeza, estar o seu diploma ganhando os fungos do tempo, juntamente com os textos e lições sobre a prática e ética jornalística.

Pior que saber que ainda existe esse tipo de "jornalista", inclusive em nossa cidade, é ter um veículo de comunicação que abre espaço para esse tipo de notícia. Lamentavelmente, O Jornal de Hoje entra para a lista dos canais tendenciosos, sem nenhum respeito ao ser humano como ele é.

Vocês, a empresa e a "profissional", são a vergonha de uma categoria.

Que nossa universidade, a brasileira, possa habilitar profissionais dispostos a respeitar a pluralidade cultural, a diversidade e os Direitos Humanos.

Link da matéria em: http://jornaldehoje.com.br/prefeitura-natal-premia-com-r-21-mil-exposicao-que-faz-apologia-ao-homossexualismo/

 
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