Continua sendo difícil derrotar Dilma no segundo turno?

6 de outubro de 2014

Disse isso no blog no sábado
"Em 2006, contra Alckmin, Lula, a 1,4 pontos de vencer no primeiro turno, obteve uma tênue vantagem de 7 pontos percentuais no primeiro turno: 48,6% a Alckmin 41,6%.
Já em 2010, Dilma ficou com 46,9% no primeiro turno contra 32,6 de Serra."   
Há semelhanças e diferenças nos resultados desse ano: Dilma termina o primeiro turno com 41,59% - 5,4 pontos a menos que em 2010. No entanto, esses pontos não foram para o adversário do segundo turno, já que Aécio terminou com 33,55% - apenas um ponto a mais que Serra em 2010.

Dilma terminou o primeiro turno deste ano com 4,2 milhões de votos a menos (43,2 milhões).  Aécio só teve 1,7 milhões de voto a mais que Serra (34,8 milhões).  Marina que teve apenas dois pontos percentuais a mais que em 2010, cresceu 2,5 milhões de votos (22,1 milhões).  
Outra grande mudança foi que a candidatura do PSOL quase dobrou o número de votos. Plínio teve 0,87%, ou 886 mil votos. Luciana Genro teve 1,55% ou 1,6 milhões de votos.  

Ou seja, os votos que Dilma perdeu entre 2010 e 2014 foram transferidos para esses três adversários. É realmente mais difícil pelo contexto eleitoral de 2014 a Dilma garimpar votos entre o eleitorado de Marina, fortemente composto por eleitores antipetistas - além de marineiros que podem se sentir ressentidos pelo teor da campanha petista no primeiro turno. 

Mas Dilma ainda tem um caminho mais fácil que Aécio: ela precisa de menos que a metade dos votos que o adversário no segundo turno para vencer a eleição.  Podemos imaginar que a absoluta maioria dos eleitores da esquerda do PSOL não votariam em Aécio - podendo anular o voto ou votar em Dilma.  Assim, dos 22,1 milhões de votos de Marina, Dilma precisaria de cerca de 7 ou 8 milhões para vencer a eleição no segundo turno (51,2 milhões x 50,6 milhões).

Segundo as últimas pesquisas do primeiro turno, cerca de 15% dos eleitores não votavam mas poderiam votar em Dilma.  Ou seja, dentre esses 15% do eleitorado que pode votar nela, Dilma só precisa convencer cerca da metade (8%).  Dos cerca de 40% que não votavam em Aécio mas poderiam votar (o valor deve ter sido reduzido a 35% em virtude do crescimento do candidato na reta final), o candidato precisaria convencer pelo menos a metade (18%) para votar nele.  

Surpreendeu a redução da votação de Dilma, mas o cenário ainda parece favorável à candidata a reeleição.  Acredito, no entanto, que as primeiras pesquisas a saírem esta semana devem apontar uma situação de empate técnico - talvez até com Aécio à frente.  Mas o decorrer das três semanas que nos separam do segundo turno devem colocar as coisas no eixo mais coerente.

 
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