Política FC

6 de outubro de 2014

Por Juca Kfouri

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Só um ogro imagina que futebol e política não se misturam.
Tudo se mistura com política, desde o modo de tomar café da manhã.
Aécio Neves começou a ter a votação que teve na quinta-feira, ao ser o melhor, entre os três que poderiam chegar ao segundo turno, no debate da TV Globo.
Capaz de sorrir, de fazer uma brincadeira, só perdeu a pose mesmo ao tentar botar o dedo mal-educado no rosto de Luciana Genro e tê-lo que tirar rapidinho.

Marina era a derrota estampada no rosto e Dilma Rousseff jogou pelo empate, com o regulamento debaixo do braço, na retranca e mal-humorada.
No sábado, Aécio viu seu Cruzeiro bater o Inter de Dilma, por mais que no domingo tenha amargado a eleição de um governador do PT no estado que governou e até ficado atrás da presidenta em seu terreiro — o que deve significar que os governos tucanos não foram o que a propaganda quer fazer crer.
A diferença de votos entre ambos, no entanto, é perfeitamente recuperável, coisa que ele deve conseguir rapidamente.
Difícil será o PT virar em São Paulo, onde a diferença é gigantesca e onde, até em São Bernardo do Campo, Dilma perdeu por goleada.
O clima paulista não é nem de Fla-Flu eleitoral, lembra a Revolução Constitucionalista de 1932, quando, aliás, os revoltosos apanharam de gaúchos e mineiros.
O PT colhe o que plantou, a exemplo do que se deu com o espanhol PSOE, tão puro na origem, mas tão contaminado pela corrupção ao chegar ao poder que acabou derrotado pelo PP, da direita.
Agora terá de reagir, tentar voltar às origens e, em São Paulo, a missão será muito mais para Lula que para Dilma.
Será imperioso mostrar, por exemplo, quanta corrupção, com impunidade, aconteceu nos governos que precederam os do PT.
Esperto, Aécio Neves já acena até para o Bom Senso FC, fazendo de Ronaldo Fenômeno seu emissário, embora ambos tenham sempre feito a opção preferencial por Ricardo Teixeira e José Maria Marin.
Claro que, diferentemente do que se acostumou em Minas Gerais, onde calou a imprensa com publicidade oficial e pedidos de cabeças de jornalistas críticos, o mineiro terá de se acostumar com levar chumbo grosso como já está acostumada a mineira/gaúcha.
Se ainda antes do primeiro turno o clima era de Fla-Flu, agora será de Gre-Nal.
“Nós contra eles”, “pobres contra ricos”, “esquerda contra direita”, embora nem o PT seja propriamente de esquerda, nem o PSDB seja exatamente de direita.
A melhor metáfora futebolística por ora está no fato de, nas Minas Gerais, ele ser cruzeirense e ela atleticana.
O Galo é o mais popular e vingador.
O Cruzeiro lidera.
O PT tenta o tetra, o PSDB tenta quebrar o tabu depois de três derrotas seguidas em dois turnos e mais uma no domingo que passou.
O jogo será duríssimo e não faltarão nem caneladas, nem bolas nas costas, nem chutes no pescoço.
Quem sobreviver, vencerá.
A quem o eleitorado mostrará o cartão vermelho?
Prorrogação: o time da Rede capitulará tão rapidamente à velha política?
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