Por que a tarefa de derrotar Dilma Rousseff será difícil?

4 de outubro de 2014

Quem seria favorito a ganhar a eleição em um possível segundo turno para presidente?

Suponhamos que os resultados das urnas amanhã, para presidente, correspondam ao que dizem as últimas pesquisas de intenção de voto - ainda que o histórico de 2002 para cá seja muito desfavorável com respeito à sua precisão (elas nunca acertaram). Então vamos fazer um exercício.

Em 2002, no primeiro turno, Lula obteve 46,4% dos votos contra 23,2% de Serra. Lula teve exatamente o dobro dos votos daquele que seria seu adversário no segundo turno. Uma distância enorme, ainda mais levando-se em conta que o candidato da situação era Serra o que facilitou a conjugação, em torno do petista, dos demais adversários derrotados, Garotinho e Ciro Gomes.

No entanto, de 2006 para cá, as vitórias do PT se deram em cenários bem diferentes.

Em 2006, contra Alckmin, Lula, a 1,4 pontos de vencer no primeiro turno, obteve uma tênue vantagem de 7 pontos percentuais no primeiro turno: 48,6% a Alckmin 41,6%.

Já em 2010, Dilma ficou com 46,9% no primeiro turno contra 32,6 de Serra.

Havendo segundo turno, contra Aécio Neves ou Marina Silva, nas eleições deste ano o segundo colocado, a se confirmar o previsto nas pesquisas, deve ter em torno de 27% dos votos válidos - um patamar ligeiramente superior ao de Serra em 2002 e abaixo do obtido pelos tucanos em 2006 e 2010.
Será o ponto de partida mais baixo de um adversário do PT desde 2002. Se compararmos com a disputa pela reeleição de Lula a diferença ainda será mais gritante: cerca de 14 pontos percentuais. Dilma precisaria, em sua reeleição, conquistar mais cinco por cento do eleitorado no segundo turno - sem perder ninguém -, enquanto ao adversário seria preciso a conquista de 23% dos votos.

Tomando a pesquisa CNT/MDA que acabou de sair como parâmetro, chega a 17,9% o número de eleitores que não votam em Dilma mas poderiam votar. No caso de Aécio, o índice é 39,5%. Para Marina, são 34,7%.

[Observo que fiz uma conversão dos dados com respeito aos votos válidos da última pesquisa CNT/MDA - 89% dos votos totais -, ainda que reconheça que seja uma conversão imprecisa.  Ainda mais levando-se em consideração que a comparação de rejeição envolve, inclusive, eleitores que pretendem anular o voto ou votar em branco].

Para ser reeleita no segundo turno, Dilma precisará conquistar pouco menos de um terço dos eleitores que já são propensos a votar nela (27,9%, 5 pontos percentuais). Aécio e Marina precisam evitar esse fluxo de votos e ainda, ao mesmo tempo, conquistar os seus. No caso de Aécio, seria necessário conquistar cerca de 58,2% dos eleitores que estariam propensos a votar nele. Para Marina vencer, ela precisaria conquistar 66,2% dos votos dos eleitores que ainda não votam mas poderiam votar nela.

A vida dos possíveis adversários de Dilma em um segundo turno não parece nada fácil.

Sem levar em conta a rejeição. Observamos, no entanto, que a pesquisa CNT/MDA não realiza um cruzamento que seria interessante para análise: dentre os que rejeitam determinado candidato, quantos já votam em outro?  Por exemplo, dentre os eleitores que não votariam em Aécio, quantos já são eleitores de Dilma?  Quantos são eleitores de Marina?

Na CNT/MDA, a presidenta Dilma Rousseff aparece com rejeição de 41,8% (gente que afirma que não votaria nela de modo algum). Marina Silva tem a maior rejeição, no entanto: 42,2%. Aécio Neves, a menor: 37%. Ainda assim, os três apresentam índices muito próximos uns dos outros. O que contribui ainda mais para dificultar a vida da oposição na tarefa de derrotar Dilma.

Imagine que o segundo turno seja entre Dilma e Aécio e que dentre os 37% que o rejeitam, cinco por cento votem em Marina no primeiro turno - e componham aqueles 17,9% que dizem poder votar em Dilma.  A tendência, então, seria que esses eleitores escolhessem a petista no segundo turno, resolvendo a disputa.  Exercício semelhante pode ser feito se o segundo turno for contra Marina.

[Vou fazer um outro exercício.  Dilma tem 41,8% de rejeição. A soma dos seus adversários no primeiro turno, segundo as pesquisas, pode chegar a 48,4% dos votos totais e 17,9% não votam nela mas poderiam votar - segundo a CNT/MDA.  É possível supor, então, que 30,5% rejeitam Dilma e já votam em um candidato de oposição.  Cerca de 11% deles devem rejeitar também os demais e, portanto, anulam os votos.  Então, Dilma disputaria os votos necessários para vencer no segundo turno dentre os 30,9% que rejeitam Marina, ou entre 25,7% que rejeitam Aécio.]


 
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