Vídeo: Depoimento de laranja liga doleiro ao PSDB

No depoimento, Leonardo Meirelles cita um antigo padrinho político de Alberto Yousseff: um parlamentar que é da mesma região do doleiro.
A dedução é que se trate do senador Álvaro Dias. E não é difícil concluir se tratar do senador. Yousseff é de Londrina, no norte do Paraná, mesma região do senador. Em 2001, o senador foi investigado pelo envolvimento com o doleiro - voou em aeronave emprestada por ele, como relatou a Folha de S. Paulo.  Dias também era um dos dois tucanos que faziam parte da CPI da Petrobras em 2009 e que deixaram a CPI antes que ela se concluísse.  Paulo Roberto Costa já disse que o então senador Sérgio Guerra, o outro tucano da CPI, que era presidente do PSDB, recebeu R$ 10 milhões da Queiroz Galvão para que o partido esvaziasse a investigação.
O advogado de Yousseff, que tem ligações com o tucanato paranaense, foi à imprensa desmentir Meirelles.  
Abaixo você pode ouvir parte do depoimento do laranja de Yousseff ao juiz Sérgio Moro. 
O texto é de Miguel do Rosário.


No Cafezinho




(Trecho do depoimento de Leonardo Meirelles, feito nesta segunda-feira, dia 21 de outubro de 2014)

A Globo fez um escarcéu com o vídeo (na verdade um áudio, filmando um teto), no qual Paulo Roberto Costa e Yousseff envolviam o PT nas falcatruas da Petrobrás.

Pois bem, eles não deram atenção a outro vídeo, vazado hoje, em que o “testa de ferro” do doleiro, Leonardo Meirelles, declara que Yousseff tinha negócios com o PSDB e com um senador do Paraná, da mesma região do doleiro. E que seria seu “padrinho”.

Meirelles praticamente nomeou Alvaro Dias.

Já sabíamos, há tempos, que Álvaro Dias tinha andado no jatinho do doleiro bandido Alberto Yousseff.

Ou melhor, usou o jatinho durante toda a sua campanha de 1998.

Mas tucano pode tudo, e a história morreu.

Álvaro Dias é o substituto de Demóstenes Torres junto à grande mídia e não interessa à ela queimar seu melhor amigo.

Aí apareceu o tal Sérgio Moro, o mesmo juiz que havia prendido o doleiro por crimes contra o sistema financeiro, há vários anos, interrogando o mesmo bandido.

A fama de duro de Moro tem sido um tanto exagerada, porque ele não condenou ninguém no processo do Banestado. Quer dizer, prendeu Alberto Yousseff, o doleiro, uma espécie de mordomo de luxo dos ricaços. Mas depois o soltou, através de uma delação premiada que não deu em nada.

Pela segunda vez, depois de Yousseff quebrar todos os acordos com a justiça, Moro concede a ele o direito de delação premiada. Oficialmente e extra-oficialmente, porque não está claro se os depoimentos vazados sistematicamente pela justiça para a imprensa são da parte secreta ou da parte pública do processo.

Os depoimentos de Yousseff e Costa são ambos vazados pelo advogado de Yousseff, o senhor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, que já trabalhou em governos tucanos e tem profundas e antigas ligações com o PSDB.

O advogado do doleiro é uma figura que já trabalhou no governo do PSDB.

No dia do último debate, o staff de Aécio, apavorado com a possibilidade de Dilma entrar rasgando mais uma vez, jogando-lhe na cara todos os seus velhos vícios, plantou na Veja e na Globo um blefe pesado.

O blog de Gerson Camarotti trazia uma ameaça. O senador Alvador Dias havia obtido todos os depoimentos de Alberto Yousseff e repassado para o senador Álvaro Dias, que por sua vez os entregou para Aécio.

Terrorismo barato para fazer o staff da Dilma recuar um pouco.

Hoje, Folha e Estadão, num lapso, informaram outros links de Álvaro Dias com o doleiro bandido.

E não é com delação premiada não. É depoimento mesmo, aberto, à Justiça.

A Globo já está desesperada, tentando abafar ou neutralizar o depoimento de Meirelles, que atrapalha o golpezinho armado entre ela, Álvaro Dias e o advogado do próprio Yousseff.

Duvido que vá para o Jornal Nacional.

Em vez de apurar o que disse Meirelles, a Globo está tentando repercutir o advogado de Yousseff, negando as ligações do doleiro com os tucanos.

Claro que o doleiro vai negar. A armação da delação premiada dele e de Paulo Roberto Costa foi articulada justamente com o PSDB.

O próprio juiz, Sergio Moro, tem sido criticado até mesmo pela OAB, por estar permitindo que a operação Lava Jato seja manipulada politicamente por criminosos, seus advogados, o PSDB e a mídia, os dois últimos interessados em interferir nas eleições.

É importante lembrar que Sergio Moro foi o juiz que escreveu o incrível voto de Rosa Weber condenando José Dirceu, e que foi decisivo. Com os argumentos de Moro, a ministra Rosa Weber declarou que “não tinha provas contra Dirceu, mas iria condená-lo, mesmo assim, porque a literatura assim o permitia”. Uma pérola histórica do fascismo judiciário, em que o juiz se arvora superior à Constituição e ao espírito humanista que preside o direito penal de uma democracia.