À PF, executivo da Queiroz Galvão omite repasses ao PSDB e ao PSB

18 de novembro de 2014

Por Cintia Alves

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Preso na Operação Lava Jato falou em doações às campanhas do “PT, PMDB, PP e mais alguns”. PF não pressionou para saber que outros partidos receberam verbas, mas TSE mostra que PSDB e PSB foram contemplados

Jornal GGN -  Nesta terça-feira (18), o blog do Fausto Macedo (Estadão) destaca a seguinte notícia: “Executivo diz à PF que empreiteira fazia doações ao PT, PP, PMDB e ‘mais alguns’”. A reportagem é sobre o depoimento do engenheiro civil Ildefonso Colares Filho, preso na sétima fase da Lava Jato. Ele atuou durante 40 anos na Queiroz Galvão, uma das construtoras investigadas na operação.

Colares disse à Polícia Federal que a Queiroz Galvão não participa do esquema de pagamento de propina a políticos e ex-dirigentes da Petrobras. Mas admitiu que a construtora mantinha contatos com agremiações, e até fez doações para o PT e aliados, além de “mais alguns” partidos. “Mais alguns”?

Não. O leitor que chegou até a última linha da matéria não descobriu que partidos, além dos citados, receberam doações da Queiroz Galvão em períodos eleitorais. E tampouco foi alertado sobre tais doações serem, via de regra, legais, conforme o engenheiro disse no depoimento à PF. Veja o trecho abaixo.

A leitura do depoimento explica, em parte, por que o Estadão não definiu quem são os “mais alguns” da manchete. Como se vê no fragmento acima (veja a íntegra aqui), a PF não pressinou o engenheiro por detalhes sobre os partidos que já receberam doações da Queiroz Galvão.

Mas uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral mostra que a Queiroz Galvão já doou milhões para o PSDB de Aécio Neves e o PSB de ex-governador Eduardo Campos, morto em uma cidente aéreo em agosto deste ano, e substituído na chapa presidencial pela ex-ministra Marina Silva. As duas siglas, ao lado do PT, protagonizaram a acirrada disputa eleitoral de outubro passado.

Doações ao PSB e PSDB

Segundo o demonstrativo das doações recebidas pelo diretório nacional do PSB em 2010, a Queiroz Galvão transferiu pelo menos R$ 6 milhões ao partido. Outros R$ 6 milhões foram destinados à legenda na campanha de 2012, quando o PSB tentava emplacar o prefeito de Recife para ganhar força na eleição de 2014.

Nos dois pleitos citados, o tesoureiro era Márcio Luis França Gomes, mais conhecido como Márcio França. Ele foi eleito vice-governador de São Paulo em 2014, e também colheu fundos para a campanha de Marina Silva.

O diretório nacional do PSDB também recebeu mais de R$ 6 milhões da construtora em 2010, quando José Serra disputou contra Dilma Rousseff (PT) a corrida presidencial daquele ano.

Nesta eleição, pelo menos seis das nove grandes empresas (Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa) sob investigação na Operação Lava Jato financiaram a campanha de Aécio. Algumas delas também se repetem nas prestações de contas do PSB. 

Em 2010, o PSDB era presidido por Sérgio Guerra. Morto em março deste ano, Guerra apareceu recentemente no noticiário como possível receptor de propina, segundo delatou Paulo Roberto Costa nos depoimentos da Operação Lava Jato. No caso, Guerra, então senador em 2009, teria sido pago para esvaziar uma CPI.

No âmbito da Operação Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já sinalizou que o principal legado dessa investigação precisa ser a reforma política. As doações de empresas privadas a partidos políticos - todos receberam este ano, com exceção do PSOL - além de moralmente questioáveis, podem configurar algum tipo de lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos.

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