Mais uma vítima de assédio moral na Petrobras: dessa vez, na Regap em Betim (MG)

20 de dezembro de 2014



Assédio moral no trabalho é um assunto perturbador.  Este blog, no que se refere à assédio na Petrobras, já contou a história de Hélio (aqui e aqui, por exemplo) e de Florentino (aqui).  Em apenas uma gerência que existia em Mossoró e abrigava um apadrinhado político do deputado federal Henrique Alves (PMDB), a empresa perdeu milhões em indenizações.
Desde outubro fui apresentado a uma outra história de assédio moral na Petrobras.  Desta vez, na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG).
Rafael Queiroz é técnico em operação.  Segundo os relatos que chegaram ao blog, pequenas perseguições começaram há muito tempo, mas elas foram se agravando com o tempo e tudo estourou há cerca de um ano quando Rafael e outros colegas do grupo apresentaram na ouvidoria da Regap uma denúncia de assédio moral contra seu supervisor.
O supervisor teria sido afastado da supervisão do grupo, mas continuado a receber como supervisor em acordo com a gerência.  O acordo teria sido feito porque o tal supervisor teria adquirido uma dívida com uma casa de campo e precisava do acréscimo no pagamento para quitá-la. Além disso, recebeu aumento de nível por mérito – mesmo tendo sido afastado da supervisão por uma demanda na ouvidoria da Refinaria.
Os trabalhadores deste setor, a Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT), têm questionado a redução do número mínimo de operadores nos grupos de turno. Também tem havido frequentes dobras de turnos de trabalho, inclusive ultrapassando oito dias seguidos por semana. O que, por si, representa sério risco de atividade em área industrial.  A empresa se nega a apresentar o cálculo exigido na NR-20 e justifica redução de pessoal para diminuir dobras e horas-extras
Um dos momentos mais surreais do assédio sofrido por Rafael se deu quando ele doou sangue em favor de uma conhecida: mesmo comunicando no dia anterior que se ausentaria no trabalho, foi chamado em uma sala e informado de que o atestado não seria aceito e que a gerência estava lançando falta. Além disso, foi informado de que estava sendo transferido da HDT, onde ele trabalha desde que ingressou na refinaria há 12 anos, para o setor de Destilação e Hidrotratamento (DH), classificando a transferência como uma "oportunidade".
O resultado de tamanha pressão devido à denúncia inicial contra o supervisor é o abatimento e comprometimento da saúde do trabalhador – sintomas clássico de assédio moral, ou violência simbólica, no local de trabalho


 
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