Justiça do Ceará revoga prisão temporária de doutoranda carioca

13 de janeiro de 2015

Publicado originalmente em O Potiguar


Falamos aqui sobre o caso da estudante Mirian França. Negra, a doutoranda na UFRJ estava presa há duas semanas, suspeita pela morte da italiana Gaia Molinari.  Foram levantadas muitas suspeitas de que Mirian havia sido incriminada por ser negra. Movimentos de direitos humanos e negros se envolveram.
Hoje, a notícia de Renata Monte, na Tribuna do Ceará, informa que a prisão de Mirian França foi revogada pela justiça.
Mirian
O juiz José Arnaldo dos Santos Soares, da Comarca de Jijoca, no Ceará, revogou a prisão temporária da farmacêutica Mirian França. A decisão foi divulgada na manhã desta terça-feira (13). A carioca, principal suspeita de matar a turista italiana Gaia Molinari, em Jericoacoara, estava presa há duas semanas depois de cair em contradição durante depoimentos.
Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará, o juiz analisou informações enviadas pelas Polícia Civil e decidiu que “a prisão temporária não deve se aplicar à Mirian“. O magistrado ainda decidiu que a farmacêutica não poderá se ausentar do Estadopelo prazo de 30 dias, para continuar a contribuir com as investigações.
O caso de Mirian gerou indignação e comoção de diversas pessoas ligadas ao movimento negro e aos Direitos Humanos. A prisão da doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro mobilizou 6,4 mil pessoas no Facebook pedindo sua soltura. De acordo com a família da jovem, a carioca teve sua prisão decretada “por ser negra e pobre”. A Defensoria Pública do Ceará afirmou que nenhum dos motivos apresentados pela delegada do caso, Patrícia Bezerra, justifica a detenção farmacêutica.
A carioca foi encaminhada para o Instituto Médico-Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. Depois, Mirian retornará à delegacia para formalizar a soltura. O vereador João Alfredo (PSOL), que participa da mobilização que defende Mirian, informou que a suspeita não dará entrevistas. Em conjunto com a Defensoria, a rede que se formou em solidariedade à farmacêutica irá abrigá-la. “Mirian vai ficar em um local seguro, onde ela tenha privacidade e a ideia é que esse local não seja disponibilizado”.
Ainda segundo o vereador, que conversou com a jovem quando estava presa, Mirian está bastante assustada com os últimos acontecimentos e está sendo acompanhada por uma psiquiatra. “Tudo isso demanda um certo cuidado e é preciso deixar claro que nós queremos e vamos lutar que esse caso seja esclarecido”, afirmou.
A delegada decretou a prisão temporária de Mirian após a carioca cair em contradição e comprar uma passagem de volta para o Rio de Janeiro, em meio às investigações sobre a morte de Gaia. A italiana desapareceu na tarde do dia 24 de dezembro e foi encontrada morta no dia seguinte, na região do Serrote, próximo ao ponto turístico da Pedra Furada, em Jericoacoara.

 
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