Operação Sinal Fechado: George Olímpio confirma empréstimos de Ximbica e Marcílio Carrilho para propina a José Agripino

24 de fevereiro de 2015

Em depoimento, George Olímpio confirma, em parte, o que disse o primeiro delator, Alcides Barbosa. Os dois estiveram no apartamento de José Agripino em Natal para negociar o pagamento de R$ 1 milhão em 2010. Para concretizar o negócio, George deu R$ 200 mil no ato, em dinheiro vivo.  Acertou para a semana seguinte mais R$ 100 mil. O restante foi emprestado por Marcílio Carrilho, presidente municipal do DEM em Natal, (R$ 400 mil) e José Bezerra Júnior, o Ximbica, (R$ 300 mil). Entre outubro e fevereiro, todos os meses, George pagava os juros dos empréstimos através de cheques pré-datados de suas contas no Banco do Brasil e HSBC.   O valor era de R$ 25 mil, sendo R$ 16 mil a Marcílio e R$ 9 mil a Ximbica.  

Se os cheques aparecerem nos extratos das contas de George trata-se do prego final no Caixão do senador - uma prova material incontestável do que relata George Olímpio.
O vídeo e o texto a seguir foram publicados pelo G1.




Em depoimento ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, o advogado George Olímpio afirmou que o senador José Agripino (DEM) pediu R$ 1 milhão para a campanha política de 2010, doação suspeita que teria sido paga com ajuda de um agiota. George Olímpio firmou acordo de delação premiada com o MP e prestou depoimento em agosto de 2014 - quando revelou detalhes de um suposto esquema de corrupção envolvendo o Departamento de Trânsito do RN.

De acordo com o depoimento, em setembro de 2010, George Olímpio diz ter recebido do ex-deputado João Faustino uma pesquisa interna do Democratas na qual Rosalba Ciarlini aparecia liderando a corrida pelo governo do estado. "Iberê era governador. João Faustino me apresentou uma pesquisa interna com Rosalba na frente e disse que se preocupou com o assunto da inspeção (veicular). Ele disse que era importante falar com José Agripino. De lá mesmo ele ligou pra Zé Agripino e marcou um café da manhã no apartamento de Zé Agripino", relata.

"Chegamos lá, subimos para a parte de cima do apartamento, tem uma piscina, uma área aberta e o escritório dele. Começamos a conversar e ele disse que a informação era que eu tinha dado R$ 5 milhões para a campanha de Iberê. Eu disse a ele que eu não tinha esse dinheiro e estava no meio da construção dos equipamentos e não tinha nem condições de dar esse dinheiro. Eu disse que dei R$ 1 milhão a Iberê, e ele perguntou como eu poderia participar da campanha deles", afirma o advogado.

A partir daí, de acordo com o depoimento, inicia-se uma negociação na qual George Olímpio afirma que poderia dar R$ 200 mil ao senador. "Eu também não queria perder aquele elo, porque pra mim aquilo foi um aviso muito claro: ou você participa da nossa campanha ou você perde a inspeção. Foi uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem. Eu tinha esse dinheiro no cofre do meu escritório. Eu saí de lá, peguei esses duzentos mil e voltei. Eu disse a ele que poderia dar mais R$ 100 mil na próxima semana e ele falou - 'aí vai faltar R$ 700 mil pra você dar a mesma coisa que você deu pra campanha de Iberê", acrescenta Olímpio.

Ainda de acordo com o depoimento do advogado, o senador José Agripino teria dito que já havia ligado para um amigo dele e que essa pessoa iria emprestar R$ 400 mil a George Olímpio para que ele desse o dinheiro. "Eu peguei R$ 400 mil emprestados com Marcílio Carrilho, que hoje é presidente do Democratas municipal de Natal, com cheques meu ou do consórcio, para garantir. Paguei todo mês, a partir de outubro de 2010 a fevereiro de 2011, R$ 16 mil de juros. E ele disse ainda que ligaria para Ximbica (José Bezerra Júnior, ex-suplente de senador) para conseguir os outros R$ 300 mil. No outro dia ele marcou. Eu, ele (José Agripino) e Ximbica nos encontramos e eu peguei o dinheiro a juros também. Acho que era R$ 9 mil por mês de juros", relatou o advogado.
O senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM (Foto: Pedro França/Ag.Senado)José Agripino Maia (DEM) negou as acusações
(Foto: Pedro França/Ag.Senado)


George Olímpio diz também que quando a inspeção veicular foi suspensa e anulada, João Faustino assumiu a dívida com Marcílio Carrilho e Ximbica. "Eu não tinha como pagar essa dívida sem a inspeção rodando", afirmou.

O G1 tentou falar com o empresário Marcílio Carrilho, mas ele não atendeu as ligações. O ex-suplente de senador, José Bezerra Júnior (DEM), o Ximbica, também não foi encontrado.

Em nota, o senador José Agripino afirmou desconhecer "o teor da suposta acusação". "Estaria eu sendo objeto de denúncia de igual teor à que a Procuradoria Geral da República já teria apurado e arquivado? Por que razão estes fatos, que não são novos, estariam sendo retomados neste momento?", questionou.

Ao Fantástico, o senador confirmou que conhece George Olímpio e que o recebeu em casa, mas negou ter pedido qualquer quantia. "Eu nunca pedi nenhum dinheiro, nenhum valor a George Olímpio. E, conforme ele próprio declarou em cartório, não me deu R$ 1 milhão coisíssima nenhuma", afirma Agripino.

Operação Sinal Fechado

A Operação Sinal Fechado apurou fraudes envolvendo o Detran do Rio Grande do Norte e foi deflagrada em 2011. O advogado George Olímpio foi apontado como mentor do esquema que desviava recursos do órgão. Em 2011, 12 pessoas foram presas, dentre elas Olímpio, e 27 foram denunciadas pelo Ministério Público. A Justiça acatou a denúncia.

Em agosto de 2014, o advogado George Olímpio prestou depoimento ao MP, em delação premiada, e trouxe novos fatos às investigações. A delação premiada resultou na denúncia do presidente da Assembleia Legislativa do RN, deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), na última sexta-feira (20). Segundo o MP, o deputado teria recebido R$ 300 mil para agilizar na Assembleia Legislativa a tramitação da lei que implantava a inspeção veicular no estado.

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