Rubens Lemos e o exílio

17 de março de 2013

Encontrei meu amigo José Dias sexta-feira à noite no centro.  Eu saia de uma reunião de meu partido, o PCdoB, no IFRN.  Ele, como excelente conversador que é, contava causos hilários e tocantes.  É sempre um prazer conversar com Zé Dias e um assombro conhecer a luta de quem faz cultura com raça em Natal.
Zé me falou em um show em homenagem aos 40 anos do retorno de meu pai do exílio no Chile, em 1974.
Desconheço a festa e qualquer programação alusiva a essa data.
Sistematicamente, eu, meus irmãos, meus tios, primos e outros parentes próximos somos excluídos das celebrações da data.
Disse a Zé que continuasse se envolvendo na festa.  Meu pai, militante da luta armada no PCBR e do PT, partido pelo qual concorreu ao governo do estado em 1982, merece todas as homenagens.
Pena que se queira contar uma história parcial na qual passagens e personagens importantes tendem a ser excluídos.
Mas aqui do meu lado continuo contando histórias como a de Aldemir Lemos, meu primo e seu sobrinho, que sempre esteve a seu lado na luta pela Revolução. Certo dia, Aldemir, a pessoa mais próxima de meu pai nos tempos de militância e clandestinidade, me destacou ter certeza de que meu pai nada abrira sob tortura: "Senão eu tinha caído e nunca caí".  Mas agora Aldemir não estará na festa.
Quarenta anos depois, os exilados somos nós?

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