Da luta não me retiro: me atiro do alto e que me atirem no peito

9 de outubro de 2014

Meu pai lutou num cenário bastante adverso.
Era ditadura militar.
Ele queria a revolução.
Fazia parte de um partido que queria a luta de massas e a luta das armas. Assim ocupava os sindicatos e movimentos sociais (naquilo que era possível no regime dos ditadores) em busca de cultivar a mudança na mente do povo ao mesmo tempo em que fazia a luta armada em busca de realizar a revolução com o povo.
Era quixotesco - e a história provou que era. Os movimentos armados foram dizimados pela Ditadura. O PCBR de meu pai foi um dos que teve mais mortos.
Mas ninguém abria mão da luta. Nem sob tortura. 
A tortura, ignomínia que mata a alma do torturado, era o suplício máximo para que lutava por um ideal. A morte era misericórdia.
Ontem, falando nisso, foi a data em que, em 1968, Che Guevara foi executado pela CIA na Bolívia. "El nombre del hombre muerto
Ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente
(...)
El nombre del hombre
Es pueblo"
Tenho esse espírito. Já ganhei algumas lutas, já perdi outras lutas. Mas segui lutando até o fim.
Aliás, sigo lutando até depois do fim.
Estamos em uma luta que segue até dia 26 de outubro. Seguirei na luta após essa data: basta olhar o Congresso eleito e sua maioria ruralista para entender que temos de continuar a lutar. Ainda que percamos a eleição. Ainda depois da eleição. 
A luta por mais justiça. Por mais direitos.
Porque temos pela frente uma ameaça concreta aos direitos - o que fazer quando um candidato favorito defende a redução da maioridade penal, por exemplo? Lutar.
Perdi, ganhei. Mas como meu pai, posso garantir não esmorecer na luta.
Se tiver de morrer, morro atirando.
"Da luta não me retiro".

 
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